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 Doença de LOL

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Eusine48
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MensagemAssunto: Doença de LOL   Ter 9 Jul - 20:25

Pra contrariar um certo Arrout, que achou essa ideia estranha, decidi escrever isto de qualquer maneira. Sabem, eu me concentro bem melhor escrevendo/lendo do que jogando algo, então fazer essa fic vai me ajudar bastante a fazer os jogos da série.

Faz tempo que não trabalho em uma fic, vai ser divertido! f2

Para os que conhecem e jogaram a Doença de LOL, vão logo notar mudanças. A maioria das conversas foi preservada para se manter a fidelidade, mas com falas a mais. Vocês vão notar que existe muito mais acontecimentos e eventos aleatórios do que no original, isso porque planejamos fazer um remake do original. Gostamos de chamar de Versão Gold. Não colocarei Side Quests aqui, pelo fato de serem aleatóridades opicionais, e alguns acontecimentos podem não estar na ordem que vocês fizeram no jogo. E claro que as batalhas aqui não ficarão em estilo RPG de turnos. f6

E uma mudança que vou fazer nas minhas fics é o Freetalk. Tem isso nos mangas, uma imagem com um paragrafo de algo aleatório. Pensamentos, frases bonitas, besteiras... Melhor do que eu postar aqui em cima que eu não consegui pensar em nada especial pra dizer, não é?


Prólogo – LOL?!

     - Sua vez! – disse enquanto atirava uma carta na mesa.

     O seu adversário não teve reação, preferindo ficar mais ocupado com sua própria inexistência. Rodolfo levantou-se, cansado de jogar cartas vinte e sete horas por dia, segundo o que o mesmo afirmava. Até que gostava de gostar cartas, mas detestava quando o outro jogador não existia.

     Rodolfo Crazyson vivia sozinho, com a exceção de seu fiel e comportado cão. Tão louro quanto o dono e com o pelo praticamente tão bagunçando quanto, Rolfo fazia tudo que o dono fala e gosta de lhe fazer companhia. Ambos viviam em uma pequena, porém confortável, casa de telhado vermelho na Cidade em que Você Começa.

     - Com fome, Rolfo?

     - Au!

     - Carne de aranha? Tudo bem, vamos!

     Saíram da pequena cidade trocando apenas algumas palavras com os vizinhos e conhecidos. Dirigiram-se ao Bosque Primário, onde poderiam ir atrás de seu lanche.

     O bosque ficava próximo à vila (Apesar de ter “Cidade” no nome, não chega a tanto), um local calmo onde viviam pequenos animais, árvores frutíferas e aranhas de um metro. Pegando algumas maçãs, Rodolfo adentrava cada vez mais no meio das árvores.

     Começou a encontrar as aranhas após quinze minutos de caminhada. Apontava para elas, Rolfo saltava e elas caiam mortas no chão com marcas de mordida pelo corpo. Anos de prática havia deixado o cachorro ágil o bastante para não ser atingido pelas picadas eminentes. Elas não tinham veneno, mas doíam pra caramba.

      O próprio Rodolfo tinha que cuidar de algumas sozinho, quando começaram a penetrar cada vez mais e o número começou a aumentar. Nada que algumas pisadas não resolvessem, apesar de Rolfo ter sido responsável pelo maior número de aranhas derrotadas.

     - Já está bom, Rolfo! Acho que com isso já da para fazer uns 20 sanduíches!
     - Au! Au!

     - Mas o que-

     Rodolfo se atira para o lado, seguindo às cegas o aviso do parceiro. No local onde estava um segundo atrás, pinças rasgavam o ar. Uma aranha de três metros de altura se erguia em frente.

     - Vai ser difícil vencer esse ai sem uma espada...

     Raivosa, a aranha abriu suas pinças, fazendo veneno pingar na grama e acabar com a vida de um pobre capim.

     - Rolfo! – gritou enquanto apontava para uma das patas dianteiras da criatura

     Rolfo se jogou no alvo no exato instante que seu dono chutava outra do lado oposto, fazendo a aranha se curvar para frente e para baixo. Aproveitando a deixa, Rodolfo deu um soco no meio dos oito olhos aracnídeos.

     A criatura voltou para trás ao sentir a dor do impacto, conseguindo se levantar novamente após recuperar-se dos golpes nas patas dianteiras. Sem dar chance para dar outro golpe, Rolfo saltou nas costas da aranha enfiando suas garras e dentes na carne do animal que, como reação obvia, começou a se chacoalhar e fazer guinchos estranhos enquanto tentava se livrar do cachorro.

     - Rolfo!

     Novamente respondendo ao chamado do dono, o cão soltou sua presa e pulou para o chão, deixando a aranha com um breve período de recuperação dos golpes. Virando-se para Rolfo ao acreditar que este era o perigo maior naquela luta, só foi lembrar-se do jovem loiro tarde demais.

     - Punho Elétrico!

     O enorme aracnídeo caiu com força no chão, seu corpo em pequenos espasmos. Era o fim daquela pobre aranha e o começo de um glorioso sanduiche.
     - Vamos para casa!

----------------------------------------

     - É tão bom finalmente voltar para casa! Lutar com monstros gigantes pode deixar você cansado... e com fome! Um lanchinho antes de dormir o dia todo vai ser perfeito!
     - Au!
     - O que é isso...? Uma garrafa com um papel dentro? Vou jogar fora.

----------------------------------------

     Do lado de fora da casa de Rodolfo, um garoto de cabelo roxo era atingido pela garrafa misteriosa atirada pela janela, deixando a cabeça do jovem rachada e o vidro doendo.

     - Que isso?

     A garrafa é virada de cabeça para baixo. O papel cai flutuando dramaticamente até pousar na mão do garoto de cabelo roxo. Uma única palavra lá estava escrito em um dos lados do papel. Grande, em letras garrafais e em negrito. Três letras Uma palavra.

     - LOL. O que será isso significa? Lol por que eu falei Lol? Lol Lol o que lol tinha na lol carta que me lol fez ficar lol falando lol. Lol que lolsito lol será lol que lol vou lol ficar lol assim lol para lol? Lol lol lolololol lol lol lolol looool!

----------------------------------------

     - Esse sanduíche de presunto de aranha gigante tava uma delicia! Agora vou dormir tanto que só vou acordar na terça-feira!

     A porta é aberta com força, fazendo Rolfo saltar e se voltar rosnando para a abertura onde um homem da vila surgia. Suando, o rapaz com manto e cabelo comprido paralisava-se ao ver o cão furioso.

     - Rodolfo, nos ajude!

     - NÃO! Eu vou dormir e só acordar na terça!

     - Mas você lol precisa nos ajudar! Todos lol estamos falando lol menos você!

     - E... por que estão falando lol?

     - Porque lol lemos uma carta lol esquisita e estalol falando lol!

     - ... Próxima terça quando acordar eu ajudo.

     - Tem de ser lol!

     - Argh, tá legal! Deixa só eu pegar uns sanduíches para a viagem...

     - Vai lolgo! Lol!

     - Tá bom, senhor impaciente! Rolfo, eu não sei quanto tempo vou demorar, então é bom que alguém cuide de casa. Fique aqui e cuide de tudo, certo?

     - Au!

     - Lol lolol lol lol loool?

     - Não entendi nada, mas eu já estou indo, não tá vendo?

     Precisaria de uma espada desta vez. Podia lutar sozinho contra um monstro gigante com as mãos no lugar mais fraco da ilha, mas por ai afora tinha medo de cruzar com criaturas maiores. Dirigiu-se até a casa do seu Sensei imediatamente.

     O Sensei era um ex-aventureiro famoso. Ainda usava uma cota de malha por baixo de uma estilosa jaqueta laranja. Seus cabelos verdes eram cortados ao estilo militar e havia uma enorme cicatriz no rosto, indicando o local onde ele havia perdido seu olho direito em combate. Seu nome é desconhecido.

     - E ai, Sensei! Como é que tá?

     - ...

     - Eu também me sinto assim as vezes! Mas eu não vim aqui pra falar isso! Eu vim aqui pedir uma espada.

     - ...

     - Não sei se o senhor notou, mas a vila inteira está com a Doença de LOL, e só conseguem falar LOL.

     - O senhor também está doente?

     - ...

     - Ah, entendi...

     De um pedestal cheio de armas de antigas aventuras, Sensei escolheu uma espada em especial. A mesma que já havia emprestado a Rodolfo em outra ocasião. Fuleira, mas eficaz.

     - Valeu!

     Com uma mochila nas costas, o jovem partiu da sua vila, longe dos conhecidos e de seu fiel parceiro canino. Em uma jornada sem rumo certo, mas com objetivo nobre. Mochila nas costas, espada em mãos, sanduíches de carne de aranha na bagagem e quase nada na cabeça, era assim que partia Rodolfo Crazyson com um sorriso no rosto. Um sorriso que mostrava sua felicidade pela aventura eminente e a busca pelo desconhecido.


« siggy »

É isso que o Eusine pensa de mim.


Última edição por Eusine48 em Sex 6 Out - 17:13, editado 10 vez(es)
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arrout
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Qua 10 Jul - 10:42

No geral, isso está bom, mas isso é uma perda de tempo do caralho f5
Apesar de que botar alguns diálogos extras pra versão Gold talvez seja bom f6

« siggy »
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Jellyboy
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Seg 15 Jul - 10:17

É... Eu acho que essa fanfic da DdLOL está bom, e essas falas vão ser para a versão gold? f6
eu pensei que a versão gold fosse o jogo original so que com mais sidequests e mais dungeons, mas acho que falas novas também sejam boas Fantasma

« siggy »
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Mr.Galleom
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Qui 18 Jul - 0:03

Hm, interessante, mais detalhes para o que eles fazem depois de saírem.

Freetalk é uma ideia estranha, mas acho que é uma boa :o

Rodolfo não é exatamente loiro... Mas essa coisa de ele entender língua de cachorro pode gerar conversas... Interessantes entre ele e cachorros falantes, a menos que já tenha ocorrido e eu tenha esquecido f6

« siggy »
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Eusine48
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Ter 26 Nov - 17:32

Que triste, não é? Dia 9 de Julho eu postei o Prólogo, e só agora que venho com o capítulo 1... Não que tenha realmente me dado trabalho para escrever, mas... Estava tendo aulas o dia inteiro e apenas 2 horas de liberdade por dia. Fora ter que me preocupar com provas da escola e os vestibulares e passar no geral...

Mas nada disso é desculpa para essa demora. Afinal, eu nem estudava mesmo/f62 Mas agora que estou de férias me comprometerei a escrever mais. Espero poder terminar esta fic até o final do ano. Se isto não acontecer, terá sido um ano lamentável para o andamento de minhas histórias, infelizmente.

De qualquer forma, aqui está! E é um capítulo inédito para todos vocês, já que não é relacionado a nada que tenha acontecido no jogo da Doença de LOL. Hehe, espero que gostem, pelo menos...


Capítulo 1 – As areias de Arenosa

     O mais óbvio era pedir ajuda para a cidade mais próxima, e foi o que Rodolfo decidiu fazer. Após algumas horas de caminhada chegou ao começo do Deserto de Arenosa, onde decidiu acampar. Gastou seu dia seguinte caminhando pelo deserto em busca do seu objetivo.

     Rodolfo morava em uma pequena ilha equatorial que, apesar de ser menor do que algumas grandes cidades de países desenvolvidos e intensamente urbanizados, possui uma biodiversidade interessante. Grande parte dela é recoberta por montanhas de formação antiga e zonas de baixa altitude com árvores de pequeno e médio porte. Na porção mais ocidental existe uma região de dunas que se convencionou chamar de deserto para “parecer mais maneiro”.

     Areia, calor, palmeiras, areia, escorpiões, vento, areia e um espantalho do mal. Esse é um resumo do dia que Rodolfo passou no deserto.

     Poucas vezes o garoto havia visitado Arenosa. Lembrava-se de pessoas vendendo camarão na praia, crianças nadando no mar, pessoas fazendo compras no mercado local e até mesmo de um homem tentando fazer crescer cenoura. Mas não se lembrava de um lugar com tão poucas pessoas nas ruas, nem de um homem sorridente e de turbante lhe esperando na entrada.

     - Bem-vindo à Arenosa! Não gostaria de deixar seus pertences para que tomemos conta enquanto vai se divertir na praia? Ou quem sabe, fazer suas compras no mercado. Afinal, andar com tanto peso é algo realmente chato.

     - Eu não vim aqui para me divertir nem fazer compras...

     - Veio para que então?

     - Eu sou da Cidade em que Você Começa e vim pedir ajuda.

     - De quem?

     Rodolfo nunca havia pensado nisso.

     - Hum... Quem poderia curar uma doença?

     - Sei lá. Uma macumbeira?

     - Boa! Pode me levar até uma?

     - Por sorte, tem um Macumba’s Place seguindo um pouco para o norte. Novamente, será que posso segurar suas coisas?

     - Melhor não.

     - Não confia em mim?

     - Não é isso, o seu sorriso falso é convincente o bastante, mas aqui dentro só tem sanduíches e uma espada fuleira.

     - Tsc, tudo bem então. Vem comigo.

     Andando com passos largos, o sujeito levou Rodolfo para o extremo norte da cidade, para uma casa de tamanho regular. As janelas estavam abertas deixando um estranho cheiro de talco pelas proximidades, e o telhado estava coberto de cogumelos de tamanhos variados.

     - Chegamos. Agora trate de ficar ai dentro e não me dar problemas, idiota!

     - Ei, o meu nome é...

     Tarde demais. O homem já havia aberto a porta, atirado o garoto para dentro e novamente trancado, deixando Rodolfo preso em uma casa lotada de mulheres com roupas escuras, penteados bizarros e maquiagem exagerada.

     - Olá! Eu gostaria de pedir ajuda para curar uma doença na minha vila.

     Uma senhora corcunda olhou em sua direção rapidamente, apenas para desviar o olhar com desdém.

     - É apenas um idiota qualquer...

     - Idiota não, Rodolfo! Segunda vez seguida que erram o meu nome!

     - E ele se prova ainda mais idiota...

     Algumas macumbeiras riram ou ao menos deram um sorriso torto. O restante mantinha um semblante de preocupação e tristeza. Também, viver em um lugar com cheiro estranho, mobília velha e estátuas de divindades desconhecidas devia deixar as pessoas para baixo mesmo, pensou Rodolfo.

     - Alguém? Eu preciso de uma macumba bem forte, são muitas pessoas doentes.

     A velha se voltou para Rodolfo sem seu sorriso, o olhar em chamas enquanto arquejava as costas e se tornava quase do tamanho do garoto. Os cabelos brancos preso em um coque pareceram brilhar e o manto espalhafatoso tremeluziu como se vento soprasse ali dentro.

     - Macumba, garoto? Parece que fazemos macumba?

     A ponta do cabelo de Rodolfo pegou fogo, fazendo o jovem quase cair para trás com o susto. Apagou ao por a mão em cima para abafar as chamas, enquanto sapateava no mesmo lugar.

     - Acho! Acho sim!

     A velha encarou o jovem. Olho no olho, piscando ao mesmo tempo em que Rodolfo, que se limitava a não entender nada. Olhava para os lados e via as macumbeiras conversando baixo, aparentemente entendendo o que estava acontecendo ali naquele momento.

     Ficou sem saber quanto tempo exatamente havia se passado com aquele olhar penetrante a analisá-lo. Sentia todo o corpo sendo observado, cada minúsculo detalhe anotado na mente daquela senhora.

     - Somos feiticeiras, meu jovem. E não admitimos ser chamadas desta forma preconceituosa... Ao menos não na nossa frente.

     - Feiticeiras? O homem lá fora me enganou! – A conversa continuava olho no olho, mas desta vez sem o sentimento forte de que algo a mais estava acontecendo por trás.

     - Tenho certeza de que ele lhe enganou. Mas não é da forma como imagina, rapaz. Ele achava que éramos macumbeiras assim como você também achava. De alguma forma acabamos ficando com essa imagem para o mundo, cada feiticeira sofrendo preconceito pela sua escolha na arte mágica... De qualquer forma, ele o enganou quando fingiu ser um homem bem intencionado.

     - Bem que achei aquele sorriso falso um tanto falso...

     - Idiota...

     - Hãn?

     - Eu disse que aquele homem faz parte de um grupo de bandidos do deserto que tomou conta da cidade. Não notou a falta de pessoas andando nas ruas exceto aquelas com turbante e espada?

     - Pensei que fosse uma data festiva ou coisa do tipo.

     - Pois não é. Enfim, eles estão usando a prefeitura como base e mantendo o prefeito como prisioneiro. Todos os cidadãos estão trancados em suas residências, assim como nós, evidentemente.

     - Desde quando vocês estão aqui?

     - Desde ontem, para falar a verdade. Acredito que você seja um enviado pelo destino para nos tirar do cativeiro. Afinal, você chegou em um momento perfeitamente dramático o bastante para não nos deixar sofrer.

     - ... E o que isso quer dizer?

     - Que você vai até a prefeitura derrotar o chefe dos bandidos e expulsa-los daqui usando sua espada!

     - Ah... E como chego até lá?

     - Siga-me.

     A senhora levou Rodolfo até a parede mais distante da porta, onde havia uma estátua de uma figura aparentemente feminina, usando um capuz e segurando uma tocha. Ao fazer um sinal, uma das feiticeiras que estavam mais próximas empurrou com dificuldade a estátua, revelando um buraco no chão. Podiam-se ver tábuas de madeira na parede da descida simulando degraus.

     - Esse é um caminho secreto que temos. Leva direto à prefeitura. Vá, derrote o líder dos bandidos e os expulse de nossa cidade!

     - Desde quando a senhora é tão animada?

     - Tsc, vá logo!

     E Rodolfo foi. Mas apenas quando seu cabelo loiro sumiu de vista enquanto ele chegava ao subsolo metros abaixo e seguia pelo corredor até a prefeitura que as feiticeiras decidiram conversar novamente entre si.

     - Senhora Asenath... O que viu na mente dele naquele momento?

     - Nada. Ou ele é um completo imbecil como aparenta, ou é algo especial para ter conseguido bloquear minha magia... De uma forma ou de outra, ele nos será mais útil do que pensam.

     - Realmente acredita que ele seja um enviado do destino para salvar nossa cidade?

     - Haha, isso? Não pensei que fosse tola o bastante para acreditar nesta minha declaração, Mariel. É claro que não. Mas um pouco de mentira nunca faz mal, não é? Ainda mais quando é uma mentira incentivadora o bastante.

----------------------------------------

     - Talvez cheguemos ao final após cruzar esta esquina, Alfredo.

     - Espero realmente que sim. Cansei de andar aleatoriamente por esses corredores escuros. Não vamos encontrar nada, e o chefe sabe bem disso.

     - Talvez ele queira ter certeza que o nada está aqui.

     - Isso não faz sentido. – disse Alfredo enquanto parava e encarava o parceiro com um olhar que dizia algo como “Nossa cara, como você é burro.”.

     - Melhor do que pensar que o chefe só quer nos tirar da jogada.

     - O que quer dizer com isso?

     - Talvez ele queira ficar sozinho com todo aquele dinheiro dos moradores da cidade.

     - Ah! Como na última vila que visitamos!

     - Bom, pelo menos ele voltou duas semanas depois.

     - Bêbado.

     - E tinha esquecido o próprio nome.

     - Haha, ainda não acredito que ele acreditou quando dissemos que seu nome era Beth!

     - Acho até que ele gostou.

     Ambos finalmente pararam a conversa e decidiram virar a última esquina. Colidiram com um jovem de cabelos loiros, que sorriu abobadamente para a dupla.

     - Oi! Vocês são bandidos?

     - Santo Beth, de onde veio esse moleque?!

     - Que moleque? – estranhou Rodolfo

     - Você, « dança »!

     - Acalme-se, Alfredo...

     - De onde você veio?!

     - Não sei bem... Você está querendo que eu diga em que lugar eu estava imediatamente antes de chegar aqui?

     - Claro que sim, idiota!

     - Mais outro! É Rodolfo, cara.

     - Responda logo a pergunta!

     O homem que insistia em gritar sacou uma larga cimitarra da cintura, seguido pelo seu companheiro relutante. Para surpresa dele, o garoto não aparentou amedrontamento pelos homens musculosos de turbante em sua frente segurando espadas.

     - Ali atrás tem um tipo de passagem secreta que se liga ao Macumba’s Place dessa cidade e à prefeitura. Sabia que lá não tem macumba? É pura propaganda enganosa...

     - É isso que elas querem que pensemos, garoto... – disse o bandido que se mantinha calmo. Alfredo, por outro lado, parecia um predador prestes a saltar em cima de uma.

     - Não converse com ele, burro!

     - Você está tenso demais.

     - É, cara. E ainda não respondeu a minha pergunta. Vocês são bandidos?

     - Claro que sim!

     - Ah, então tenho que derrotar vocês. Foi mal.

     - Sem problemas.

     - Sem problemas?! Você pirou! Vou mostrar quem acaba com quem, garoto!

     Chegou o limite do pobre e facilmente irritável Alfredo. Quase prestes a bater no próprio amigo que demonstrava incompetência mental acima do tolerável, saltou para cima do estranho garoto acreditando que este tirava sarro de sua cara.

     Rodolfo pôs a mão no cabo da espada...

     - Espere, Alfredo! – o amigo tentou impedir o que seria obviamente um erro, tarde demais. Não que alguma outra tentativa de acalmar o amigo tivesse adiantado.

     - Golpe giratório!

     Rodolfo girou com um golpe que começou batendo na espada do oponente e o afastando e terminou com sua própria arma atingindo fortemente a têmpora do outro, que caiu no chão sem consciência. Sangue escorria do local do ferimento.

     - Gostou? Inventei esse ataque uns dias atrás mas não tinha como testar.

     - Alfredo! – gritou o homem de turbante que restava de pé – Você vai pagar agora!

     Os sentimentos agora se invertiam, e o que antes estava calmo havia ficado com mais fúria do que o amigo havia demonstrado. Atacou lateralmente pela esquerda, sendo impedido pela espada do adversário. Mudou de posição e tentou o mesmo golpe pela direita, com o mesmo resultado. Furioso, tentou um golpe vertical de cima para baixo que, mesmo sendo corretamente defendido, fez Rodolfo cambalear um pouco. Aproveitando a oportunidade, o bandido desferiu um golpe obliquamente no peito do jovem espadachim.

     Houve uma pausa após o choque de espada com carne, um pequeno intervalo de tempo para descansar de sequências seguidas de ataques. Inesperadamente, o jovem abriu um largo sorriso enquanto encarava o bandido.

     - Puxa vida, quem diria que ia encontrar alguém forte por aqui?

     - O chefe é bem mais do que eu.

     - Ótimo! Isso me dá ânimo para lutar melhor!

     - Você é louco!

     - Talvez. De qualquer forma, é minha vez de atacar!

     Um conjunto incalculavelmente rápido de golpes se iniciou para cima do homem de turbante. Com pouco tempo de defesa, foi atingido fortemente na lateral do corpo. No mínimo duas costelas estavam quebradas neste momento. Foi forçado a um momento de dor, tendo que se curvar e abaixar a espada por um instante.

     Rodolfo percebeu. Saltou, preparando a mão direita, que segurava a espada, para dar o golpe.

     - Punho Elétrico!

     O bandido mal teve tempo de fechar os olhos antes de levar um soco no rosto e ser lançado contra a parede. Desmaiou instantaneamente por cima do companheiro.

     Com um sorriso no rosto, o garoto guardou a arma e analisou a cena. Ambos ao chão, sangrando pela lateral da cabeça. Um deles com o nariz sangrando violentamente onde havia sido golpeado e tinha costelas quebradas. Por sorte, a espada enferrujada não cortava como deveria.

     - Talvez eu tenha exagerado... E esse cara não era tão bom assim. Espero que o chefe realmente seja!
     Sorrindo e terminando a pequena conversa consigo mesmo com aquelas frases animadas, Rodolfo prosseguiu.

----------------------------------------

     - Podem ir tirar o dia de folga, rapazes. Só vou terminar de contar o dinheiro sozinho para que amanhã possamos partir. – dizia um homem grande de pele morena e cicatrizes no rosto e nos braços descobertos. A roupa pesada e cheia de panos era semelhante às dos dois homens em sua frente, com a exceção do turbante preto em contraste com o branco dos outros. Usava uma cimitarra enorme que rasgava o chão conforme o bandido caminhava.

     - E deixar que aconteça a mesma coisa que na última vila? – disse um dos subordinados.

     - Eu sou o chefe! Não confiam em mim?

     Ambos se entreolharam por um instante antes de voltarem a olhar o que se autodeclamara chefe um tempo antes.

     - Não. – falaram em uníssimo

     - Pois não tem meios para que eu fuja, se é o que estão pensando. Fiquem do lado de fora da prefeitura então, mas não fiquem enchendo o meu saco. Como posso contar moedas em paz enquanto os dois caras de bunda ficam me encarando?

     - Certo, mas vamos ficar ouvindo atentamente.

     Os dois partem da sala do prefeito para se postarem do lado de fora da maior construção daquele local isolado e esquecido no meio de Arenosa.

     -Tsc, estão esquecendo a hierarquia...

     Uma batida atingiu a parte debaixo da mesa do prefeito. Alguns papeis voaram para longe e uma moeda caiu no chão, rolando até bater na portar e então girar até parar. Um som veio alguns segundos depois, junto à segunda batida no mesmo local. Algo extremamente semelhante a um “Ai!”.

    Intrigado, o homem decidiu empurrar a mesa para o lado. Bem a tempo para o terceiro golpe, que finalmente abriu um pedaço quadrado do piso de madeira como se fosse um alçapão.

     Uma cabeça curiosa apareceu do buraco no chão seguida de um braço que procurava por sustentação.

     - Ajuda ai, tiu!

     Após um brevíssimo momento de hesitação por parte do bandido, este ergueu o jovem enquanto tentava entender de onde ele viera. Havia uma vela distante lá embaixo, em um aparente caminho de pedra.

     Rodolfo tirou o pó das roupas e olhou ao redor. Não era um lugar muito ricamente decorado. O máximo de luxo eram os panos vermelhos que cobriam as duas janelas como cortinas e um quadro de uma paisagem florestal. Uma cadeira almofadada, uma mesa larga que abrigava um saco de dinheiro aberto e moedas espalhadas e um armário suspeito eram os únicos móveis do local. Também haviam sacos com moedas encostados em um canto.

     - Aqui é a prefeitura?

     - É isso mesmo. – disse o homem enquanto juntava o 1GP* caído e enfiava no bolso.

     - Então você é o chefe dos bandidos!

     - O nome é Beth.

     - Não é nome de mulher?

     - Não. – disse sem demonstrar sentimentos.

     - Bem, de qualquer forma eu sou o Rodolfo! Ei, eu preciso te derrotar. Assim você sai da vila e deixa o pessoal daqui em paz e com o dinheiros deles, certo?

     - Claro, daqui a pouco teremos nossa luta. – disse enquanto pensava no motivo para o qual sempre ter um idiota metido a herói. Não estava nem um pouco preocupado, claro. – De onde você veio, ein?

     - Acho que de dentro da minha mãe.

     - Eu quis dizer agora.

     - Ah. Vim daquele buraco, não tava prestando atenção? Tem um caminho maneiro lá dentro.

     - Que leva até onde?

     - Até aqui.

     - ...

     - A não ser que você esteja partindo daqui, então esse caminho vai levar até o Macumba’s Place.

     Perfeito! Ninguém sabia daquele caminho, e o Macumba’s Place ficava no limite da vila. Só precisava de uma mochila para guardar todo o dinheiro. Bem melhor que na última vez, que teve de fugir disfarçado e levar o dinheiro em um carrinho de mão.

     - Garoto, obrigado por surgir de repente! Acaba de me dar uma ajuda enorme! Pena que terei que mata-lo.

     - Pra isso vai ter que lutar comigo, okay? E ganhar.

     - Mas é claro.

     Beth foi o primeiro a atacar, com um largo movimento do braço fazendo um arco horizontal em direção ao seu oponente, que foi ágil o bastante para por sua própria espada em posição de defesa. A força do golpe surpreendeu Rodolfo e o fez voltar para trás.

     - Uia, você é forte! – disse quando as armas se separavam e ambos voltaram para posição de guarda.

     Em resposta, o bandido voltou para a mesma estratégia e golpeou novamente da direita para a esquerda. Rodolfo saltou para trás, mas não foi o bastante para desviar devido ao tamanho da lâmina do outro. Sangue saiu do ferimento superficial no peito, mas não ouve tempo de reparar nisso. Outro golpe veio, desta vez de cima para baixo. Rodolfo conseguiu por a espada em cima da cabeça, mas a força de Beth foi o bastante para empurrar a lâmina do garoto contra o próprio crânio.

     Erguendo o pé direito, Beth chutou o queixo de Rodolfo, atirando-o contra a parede e fazendo a mobília tremer. Com o sangue pingando da cabeça abaixada, o garoto havia sofrido ferimentos graves, talvez fatais. Beth não gostava de dúvidas. Ergueu a enorme cimitarra e a abaixou num movimento rápido.

     No último instante, Rodolfo girou para o lado, fazendo com que a espada atravessasse o chão se prendendo na madeira. Tirando os cabelos molhados de sangue da frente dos olhos, se ergueu usando a espada pra se apoiar.

     - Essa doeu...

     Beth retirou sua espada com certo esforço. Antes de pensar se atacaria ou não, parou para observar o rapaz. Ele estava agora puxando a camisa para cima e limpando o sangue que escorreu no rosto com ela. Após abaixar a camisa e novamente se por em posição de guarda, deu um sorriso otimista.

     - Estou pronto agora!

     - Você poderia ter me atacado enquanto eu estava com a espada presa, idiota.

     - Mas ai não teria graça! Lutar contra alguém que não tem ou não pode ter reação é o mesmo que não lutar com nada.

     - Do que adiantou realmente, imbecil? Agora eu irei te matar, foi isso que você ganhou por ter exigido uma luta honesta.

     - Na verdade ainda estamos no meio da luta. Pode ser que eu ganhe!

     - ...

     Esperou por alguns segundos tentando entender qual era o problema daquele garoto. Após receber um sinal com a cabeça, deu novamente um golpe lateral com toda a força.

     Rodolfo defendeu e, rapidamente, girou o pulso e levantou o braço em algo que se tornou um golpe vertical de baixo para cima. A camisa de Beth se rasgou junto com sua pele e o sangue jorrou dos ferimentos.

     Assustado, Beth cambaleou para trás sem reação. Chocado com a súbita mudança no comportamento do jovem loiro, não esperava outro golpe de imediato. Rodolfo saltou e, com a mão que segurava a espada, começou a carregar eletricidade como havia feito mais cedo com um dos subordinados de Beth. Sentiu sua força aumentar enquanto seus músculos se expandiam temporariamente e a eletricidade corria direcionada para sua mão direita.

     - Punho Elétrico!

     Atingido bem no meio do rosto, o líder dos bandidos foi jogado ao chão e arrastado até a parede, onde se chocou com força causando um grande estrondo e quase derrubando o armário suspeito.

     Sons de passos vieram do corredor. Em instantes, a porta foi aberta e os dois bandidos que anteriormente tinham saído para esperar do lado de fora chegaram correndo. Ao ver a cena, sacaram as espadas e começaram a lentamente avançar em Rodolfo.

     - Parem!

     Beth ainda não estava derrotado. Furioso, levantou rapidamente olhando com os olhos que pareciam arder em chamas para o jovem que o havia desafiado minutos atrás. Não parecia ligar para o sangramento no nariz e no peito. Sua mão apertava a cimitarra como jamais tinha feito antes.

     - Fora daqui! – berrou em plenos pulmões

     - Você está perdendo pateticamente! Não consegue derrotar nem sequer um garoto! Não merece estar na liderança, Beth!

     - Esqueceu da hierarquia, imbecil! – continuava berrando com toda a força – EU sou o líder! EU mando em vocês! EU conquistei esse título e EU vou derrotar esse moleque!

     - Você enlouqueceu! Vai morrer nesta luta!

     Beth girou o braço da espada e, com ódio, dilacerou o corpo dos dois subalternos com um único movimento. As pernas foram separadas do corpo e ambas as partes caíram pesadamente no chão, enchendo a prefeitura de sangue vivo. Eles não haviam tido tempo de expressarem qualquer tipo de reação, até mesmo de gritar. O que havia neles era apenas uma expressão que antecederia o horror.

     Rodolfo não teve grande mudança em sua expressão. Olhou a cena com certo desgosto mas, sem poder intervir de qualquer forma que fosse, apenas engoliu em seco e voltou a encarar o oponente. Lembrava-se bem do ensinamento de seu mestre: ... .

     O assassino começou a rir.

     - Do que você está rindo? – disse Rodolfo.

     - Nada... Agora que descontei minha raiva percebi o quanto estava esperando por uma luta como esta. Só não sabia disto... Hahaha...

     - Faz um tempo que eu não luto contra alguém tão forte também! E você é um ótimo oponente!

     - Obrigado... Olha rapaz, você quer que eu vá embora e deixe a população e o dinheiro deles em paz, certo?

     - É.

     - Então vamos acabar com isto agora. Acho que já está na hora

     Haviam chamado atenção. Do lado de fora da sala do prefeito, civis e bandidos se empurravam para olhar pela porta e se afastavam instintivamente ao perceberem os corpos mutilados ao chão. Ninguém ousou entrar na sala para intervir.

     Ambos apertaram o punho das espadas com a mão direita. Os olhos se estreitaram enquanto ambos se encaravam e calculavam qual seria o próximo movimento a se fazer. Decididos, começaram a movimentar os braços. Ambos partiriam para um ataque obliquo, sendo o de Beth descendente e o de Rodolfo Ascendente. Seria uma colisão perfeita entre as duas espadas tão diferentes.

     Novamente a energia correu para a mão direita de Rodolfo enquanto ele a acumulava para dar seu golpe especial. Porém, desta vez deixou-a passar para além do seu punho e atingir a lâmina da espada. Quando movimentou o seu membro, a espada já estava eletricamente carregada ao máximo que ele conseguiria.

     - Espada Elétrica!

     Houve um estrondo enorme seguido de um clarão, como se um raio tivesse surgido no meio da sala do prefeito e no exato local onde as espadas se encontraram. Beth voou por vários metros até cair no meio da multidão que cercava o lado de fora daquele campo de batalha, esmagando vários do seu bando e alguns civis.

     Rodolfo caiu no chão no mesmo lugar, olhando tonto para o teto. Sua espada continuava em seu pulso, mas a lâmina havia sido completamente estilhaçada. Enquanto recuperava a visão, foi percebendo que a cimitarra do oponente havia ficado presa no teto imediatamente acima dele.

     O jovem foi o primeiro a se levantar. Levantou o braço esquerdo e começou a puxar a espada que estava presa no teto. Ela nem se mexeu. Deixou o punho da própria espada cair e começou a puxar com as duas mãos.

     Após alguns segundos tentando, parou ao perceber o vulto de Beth ao seu lado. Este afastou o garoto e puxou a cimitarra para baixo com um simples e rápido movimento, soltando-a. Prendeu-a imediatamente na cintura.

     - Como aprendeu a lutar dessa forma?

     A raiva havia abandonado completamente o líder dos bandidos. Havia restado apenas uma decepção consigo mesmo e uma intriga com relação ao que acabara de acontecer.

     - Com meu mestre, na Cidade em que Você Começa. O nome dele é Sensei.

     - O explorador? Agora entendo... Enfim, você ganhou essa luta e agora vou embora como o combinado.

     - Ganhei? Mesmo estando sem arma e você ai com essa sua espada gigante.

     - Ganhou. Não sei porque estou me sentindo honrado hoje, mas vou embora. Espero que nos encontremos de novo para lutar. Qual o seu nome mesmo?

     - Rodolfo Crazyson.

     - Sou Beth, e não se esqueça.

     A notícia de que havia sido Beth quem matara os dois bandidos daquela sala havia sido espalhada rapidamente. Aparentemente, um outro bandido havia corrido para dentro da prefeitura ao escutar o estrondo, mas chegou depois dos outros. Portanto, nenhum ousou contestar e foram todos embora seguindo seu chefe.

     Sem saber exatamente como agir, alguns aldeões corajosos adentraram a sala e começaram a parabenizar o jovem herói e a agradecer. Rodolfo não chegou a ouvir muita coisa, desmaiou logo depois da partida dos bandidos. Por sorte, as feiticeiras não demoraram a vir em seu auxílio.

----------------------------------------

     Do lado de fora da pequena cidade de Arenosa, próximo aos pequenos portões que separam a vila do deserto, se reunia uma pequena multidão. Os aldeões haviam se reunido para se despedirem do jovem herói que, três dias antes, havia salvo a todos de serem roubados por um grupo de bandidos do deserto.

     Rodolfo Crazyson ainda usava bandagens em seus machucados, que já haviam começado a sarar. Quase não era possível ver seus cabelos loiros em meio às bandagens que cobriam seu ferimento na cabeça, exceto por pequenos tufos que saltavam aleatoriamente procurando por liberdade. Apesar disto, o garoto sorria enquanto se despedia de uma velha senhora feiticeira que estava no centro da multidão ao lado de uma jovem em treinamento.

     Não tinha como não sorrir. Havia tido a experiência de lutar contra alguém verdadeiramente forte. Teve a oportunidade de comer tudo que pôde aguentar após acordar e a aproveitou ao máximo. E por último, ganhou uma espada nova e bem melhor do que a enferrujada que tivera usando nos últimos dias.

     - Obrigado de novo por ter me ajudado a chegar na prefeitura, dona Feiticeira!

     - Eu é que agradeço. Afinal, você salvou a vila! Lamento não poder ajudar com um remédio para curar essa tal de Doença de LOL.

     - Não tem problema, ainda há outras cidades na ilha... Espero que nos vejamos de novo!

     - Vamos nos ver novamente, estou sentindo isso. Adeus e boa sorte, que a Deusa lhe guie.

     Rodolfo partiu, para onde julgava ser a melhor direção para a grandiosa Monstanha.

     - Ele ficou muito mais facilmente tolerável quando começou a acreditar que meu nome era Feiticeira. – disse a lider das feiticeiras de Arenosa para sua jovem estudante das artes mágicas ao seu lado.

     - Esse garoto é realmente talentoso, não?

     - Não exatamente.

     - Hãn?

     - Ele sabe lutar, isso é verdade. Mas não teria expulsado os bandidos sem uma pequena ajuda minha, devo dizer. Consegui afetar a mente de Beth o bastante com minha magia para ele não lutar com todas as forças e não perceber isto.

     - Não fazia ideia de que a senhora possuía tal poder...

     - Se me aproximasse poderia ter feito mais coisa, mas queria deixar Rodolfo mostrar seu valor. De qualquer forma, Beth tem a mente forte para um brutamonte. Apenas quando a luta estava quase terminando que consegui fazê-lo acreditar que tinha uma dívida de honra e que deveria ir embora ao perder a luta.

     - Incrível...

     - Algum dia você chega a esse nível, não se preocupe. E quanto à Rodolfo, ele é realmente alguém especial. Estou com altas expectativas sobre ele.

*O dinheiro utilizado nesta ilha, nas vizinhas e em algumas cidades costeiras próximas se chama Gepeto e é simbolizado por GP.


« siggy »

É isso que o Eusine pensa de mim.


Última edição por Eusine48 em Seg 30 Dez - 9:06, editado 4 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Qua 27 Nov - 14:48

Realmente ótimo f2
Faz um tempo que não tem fic aqui, vou ver se nessas férias conseguimos voltar à atividade no fórum YEAH!!!.

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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Qua 27 Nov - 19:10

Nossa, você usou a minha imagem de aniversário do Denas? Isso foi engraçado!
Mas, desculpa mesmo assim, porque eu queria retratar o que o Denas pensava na cabeça misteriosa dele...

Mas Arenosa? Não lembro de este lugar estar no jogo da Doenças de Lol...

Beth? Também não me lembro dela estar no jogo...

Acho que tudo isso é uma dica para o Remake ou a seguida do jogo...

« siggy »


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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Seg 2 Dez - 20:01

Hah! Algumas partes foram muito lolsters! Principalmente as respostas idiotas do Rodolfo!

Não consigo imaginar sangue no DLoL... No máximo imagino ketchup...

E esses muçulmanos nem eram tão bons assim... Eram só uns re-ta-re-tardados re-ta-re-tardados, retardados.

Por um minuto, pensei que a jovem aprendiz de macumba era a Feitnilda...

E quanto a essa frase... Fui eu quem disse isso pra você! ♪YEAH♪ « dança » Mas confesso que combina como uma frase de Eusine...
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Seg 2 Dez - 20:23

Por algum motivo quando li a cena dele ir pro subsolo imaginei tipo a cena de Mario & Luigi (com o Luigi entrando na terra por causa de uma martelada do Mario), só q dando pra ver o cabelo do Rodolfo, sendo q dá pra mover ele e falar com as pessoas...

"Por que o cabelo atravessou a rua?"

O Rodolfo fazer as pessoas dançarem é estranhamente hilário e um poder bem legal

Ele acha que veio de dentro da mãe dele! Gasp?
É óbvio que ele veio do correio expresso.

« siggy »
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Ter 3 Dez - 10:29

Yeah!

Como o prometido, vim trazendo outro update! Ainda temos 5 caps pra terminar a fic... e exatamente 5 terças-feiras restantes! (Contando com hj!) Que sorte, ein?

Planejo fazer update das outras também. Como os caps aqui da Doença de LOL são maiores e ocupam mais tempo que o normal, vai ser um pouco mais complicado fazer o Show do Gaara e a minha participação no Dimentional Adventure... Mas vou fazer de tudo para postar 2 updates do Show do Gaara e 1 do Dimentional Adventure até o fim do ano. Vai ser complicado... Claro, sem abaixar a qualidade, vou continuar escrevendo calmamente como sempre...

Esse é, provavelmente, o menor dos capítulos dessa pequena história. A menos que o 4 seja menor... De qualquer forma, me da certo orgulho dizer que o menor cap tem o dobro do tamanho que normalmente os caps possuiam nas minhas antigas fics. f2

*

*Créditos à Mr.Galleom pela ideia de Freetalk

Capítulo 2 – Monstanha, ai vou eu!

     O Leste do grande continente de Centralia sempre foi conhecido por ser uma área marcada por grande atividade tectônica. Fato este que causou o surgimento de montanhas e vulcões na região e que também desprendeu enormes pedaços de terra em seu auge, gerando diversas ilhas rochosas que boiam próximo ao grande continente. Incluindo a A Ilha.

     A maior parte do território da A Ilha era recoberto de árvores que se encontravam relativamente juntas e formavam pequenos bosques. Exceto pela parte oriental da ilha, diretamente no lado oposto de onde as dunas de Arenosa, onde havia espaço o bastante para que elas continuassem a se espalhar e formarem uma floresta decente. Onde as árvores não haviam conseguido fincar raízes era graças ao terreno rochoso e às montanhas que partiam do chão buscando alcançar o céu. Tarefa em que falhavam miseravelmente.

     Depois de Arenosa, a cidade mais próxima da Cidade em que Você Começa fica no topo da Monstanha, a maior das montanhas localizadas em A Ilha. Este era o próximo objetivo de Rodolfo que, após sair das dunas, teve de seguir para o norte, em um caminho por ente um bosque aberto.

     Nada de especial havia naquela área. Pisando na grama, o jovem herói seguia olhando sempre para o mesmo tipo de árvores e arbustos, que cresciam periódica e aleatoriamente. Fora que aquela era uma área sem grandes interferências humanas e, portanto, monstros andavam livremente.

     Mal pisou naquele que seria o seu Caminho para Monstanha e já teve de lidar com um trio de pequenas, sujas, feias e mal encaradas Gosmas. Duas verdes e uma rosa.

     Gosmas são conhecidas por estarem no mais baixo nível de hierarquia entre os monstros. Ninguém costuma as respeitar, seja humano, animal ou monstro. Possuem o corpo formado apenas por uma substância gelatinosa que definiu seu nome, é transparente e possui diversas subespécies de cores diferentes, ainda que todas possuam o mesmo tamanho (cerca de 20 centímetros) e o mesmo formato de balde virado para baixo.

     Uma das gosmas verdes tentou pular em Rodolfo, que simplesmente se moveu para o lado, sacou e atacou com a espada em um único e amplo movimento, que foi o bastante para partir ao meio aquela pequena criatura, que se desmanchou por completo na grama.

     Rodolfo estava gostando muito dos resultados de sua nova espada. Era leve apesar do tamanho, se encaixava perfeitamente em seu punho e o brilho da lâmina era algo realmente lindo de se observar enquanto desferia os seus golpes. Cortava os inimigos com uma facilidade que quase o fazia rir. Só então o garoto havia percebido que a antiga arma praticamente não cortava coisa alguma.

     No momento o jovem não se preocupava nenhum pouco com os monstros em sua frente. Desta forma, não estava esperando ser atingido por gosma rosa no rosto como acabou sendo. Com um movimento irritado, fatiou as duas restantes e começou a limpar o rosto... até perceber o quanto era bom o gosto daquela gosma. Era impressão dele ou ela tinha gosto de geleia? Devorou tudo e, feliz, continuou o caminho.

     Andava olhando para os lados, esperando poder encontrar algum humano com quem interagir... Mesmo que fosse só para andar junto com ele, Rodolfo, que tinha sido acostumado a vida toda a estar ao lado de alguém (principalmente seu cachorro Rolfo), achava difícil a solidão que os vários dias de caminhada haviam lhe proporcionado.

     Sorriu esperançoso ao perceber a existência de um caminho de árvores derrubadas, esperando encontrar alguém para pelo menos ter a oportunidade se gabar de quanto a sua espada nova era incrível.

     Chegou a uma área de árvores agrupadas de forma estranhamente densa para aquela região, forçando-o a andar por entre um pequeno corredor vegetal. Após apenas ter andado alguns poucos metros encontrou uma pequena aberta recentemente. Além dela o caminho continuava... Ou continuaria se não estivesse bloqueado.

     Encontrou um homem de longos cabelos brancos empilhando madeira em várias pilhas de mesmo tamanho. Usava uma tiara para ajudar a prender os cabelos no topo da cabeça e vestia um conjunto de calça e jaqueta de couro que parecia quase tão velho quanto o homem que as usava.

     Curioso e com uma enorme vontade de chamar a atenção do senhor, Rodolfo se aproximou falou:

     - Ei moço, por que não pode passar por esse caminho ai?

     Com um movimento súbito, o senhor largou a madeira que carregava e virou para encarar o jovem louro. Tinha um cavanhaque tão branco quanto seus cabelos, e os olhos ardiam em chamas como se estivesse com ódio mortal daquela simples pergunta. Em um movimento longo, sugou enorme quantidade de ar.

     - NÃO INTERESSA, CARAMBA!!!

     Chocado com o súbito grito que acabara de receber, Rodolfo ficou um momento sem saber o que falar. Como se nada tivesse acontecido, o senhor se virou, abaixou, pegou o pedaço de madeira que havia derrubado e o colocou numa posição pré-organizada naquela pequena pilha à seus pés. Por um momento pensou em falar mais alguma coisa, mas algo dizia que não iria adiantar nada.

     Sem ter entendido o que havia acontecido, foi embora daquele lugar sem olhar para trás. Não estava mais com tanta vontade assim de interagir com outro ser humano.

----------------------------------------

     Acabou encontrando outro sinal de civilização algumas poucas horas depois, após ter derrotado inúmeras gosmas de cores diferentes e tido dor de barriga por comer muito daquela estranha gosma rosa. Viu de longe uma placa de madeira erguida no meio da grama e, ao chegar mais perto, descobriu que se tratava de uma seta apontando para a esquerda, para uma pequena estada de terra que aparentemente levava até uma fazenda.

     - “Fazenda” – leu Rodolfo em voz alta – “Sim, o nome da minha fazenda é Fazenda, e dai?”.

     Curioso, caminhou pela estrada e não levou muito tempo no meio do mato até encontrar uma grande área desmatada e cercada por uma cerca de madeira que delimitava seu perímetro. A primeira coisa que percebeu foi uma tentativa falha de plantar soja, que havia resultado em um campo de pequenas plantas mortas e em estado de apodrecimento. Após reparar nesse fato enquanto entrava pelo portão aberto da fazenda, começou a andar em direção da casa de madeira de dois andares que se encontrava no centro do terreno, entre a plantação de soja e uma área cercada reservada para o pasto de bovinos. Mudou o rumo de sua caminhada ao perceber um homem grande, gordo, com uma enorme barba e usando roupas de lã e algo que parecia um capacete de ferro na cabeça saindo do meio de algumas vacas e fechando uma pequena porta de madeira atrás de si.

     - Oh, um visitante! Boa tarde, garoto. – o homem esticou as costas por um momento até soar um estalo e então sorriu tufando sua barriga – O que lhe trás aqui na minha Fazenda?

     - Estou em uma aventura para salvar minha vila. O pessoal de lá foi infectado por uma doença chamada de LOL, que as impede de dizer outra coisa a não ser lol.

     O rosto do homem se encheu de tristeza quando ouviu as palavras de Rodolfo. Sua mão pousou na porta que acabara de fechar e seu olhar viajou para longe.

     - As minhas vacas... Também pegaram essa doença que você está tentando curar...

     - Sério?

     Rodolfo deu um passo em direção à entrada da área das vacas, mas foi impedido pela enorme mão do fazendeiro, que o afastou para longe de forma estranhamente protetora.

     - Cuidado, jovem! Essas vacas estão com a doença da Vaca Lolca!

     - Que piadinha besta...

     - Não é piada! Eu realmente temo pelo que vai acontecer com minhas pobrezinhas... Eu... Vamos mudar para um tema mais feliz. – disse forçando um sorriso em seu rosto barbado – Desde que elas adoeceram o leite se tornou muito mais delicioso do que já era! Você gostaria de beber um Leite Lolco?

     - Haha! Leite Lolco! Aposto que ele tem um gosto... Lol! Dessa piada eu gostei!

     - Não é piada! Leite Lolco é uma delícia! Só precisa de alguns goles para deixar você totalmente disposto! E um litro custa apenas 16 GPs!

     - Me parece um preço justo. Por sorte o pessoal de Arenosa me deu um pouco de recompensa. Vou levar um litro!

     - Obrigado, aqui está.

     - Agora é hora de ver se é realmente tão gostoso quanto você falou...

     - Melhor não. Deixe para um momento em que seja necessário. Lembra do que eu disse? Deixa você completamente disposto.

     - Certo, vou segurar a minha curiosidade... – de cabeça baixa, guardou o pote com o leite na mochila em suas costas, junto com os dois sanduiches de aranha gigante restantes e um punhado de gosma rosa para mais tarde. – Acho que agora eu tenho que ir. Sabe, seguir viajem até a Monstanha.

     - Indo até a Monstanha? Tome cuidado quando estiver por lá, os monstros adoram aquele lugar. Cuidado com as cavernas obscuras e seus picos elevados.

     - Obrigado, tiu!

     - Hohahaha! Volte no momento que estiver precisando de mais Leite!

     - Pode deixar!

     Dando meia volta para sair daquela amigável fazenda, pensou ter visto um vulto saltando de árvore em árvore na borda da floresta. Um vulto aparentemente humano e muito ágil.

     - Será que era... Não, não pode ser...

     Continuou seu caminho sem pensar mais no assunto.

----------------------------------------

     - Ei! Psiu!

     Rodolfo olhou ao redor tentando achar de onde vinha aquela voz. O Sol já estava se pondo e tudo ao redor começava a ser tingido de laranja. A vista estava começando a ficar mais difícil, e Rodolfo não encontrou a pessoa que havia o chamado. Tinha certeza que não havia sido imaginação.

     - Cara, me da uma ajuda aqui!

     Estava olhando diretamente para o dono da voz sem saber. Vinha de dentro de um arbusto em sua frente e era possível ver apenas a o rosto de um garoto branco usando um capelo azul e (somente depois que parou para observar conseguiu perceber) com as pernas saindo por debaixo da planta.

     - Você... você ficou preso nessa moita?

     - Moita? Que moita? – A surpresa do garoto parecia real

     - Você não notou que está dentro de uma moita?

     - Ah! Agora entendi... mas eu achei a sua pergunta estranha... Afinal, o que mais uma árvore usaria para vestir?

     - Mas... o que isso tem a ver?!

     - Eu sou uma árvore, idiota! Não percebe?

     - ...

     - Por que está me olhando com essa cara?

     - Então... Por que pediu ajuda?

     - Ah sim, coça minhas costas? Meus galhos não alcançam!

     - Cara, você tem algum problema... Eu acho que vou te levar para uma macumbeira na cidade mais próxima...

     Rodolfo não costumava dizer coisas deste tipo. O caso era sério.

     - Eu até gostaria de ir, mas árvores não andam... Ou andam?

     - Andam sim. Na minha cidade tem uma árvore que vive andando de um lado para o outro.

     - Quer dizer que eu posso andar? Mas que felicidade!

     Os dois começaram a caminhar juntos. De todos os loucos que Rodolfo havia tido a oportunidade de conhecer naquela estanha ilha, aquele havia sido o mais estranho até o momento. Ignorando este fato, o garoto parecia bem amigável e seria bom ter alguém ao seu lado durante toda aquela jornada. Percebeu que nenhuma apresentação havia sido feita.

     - Por um momento esqueci-me de me apresentar, desculpe. – disse o garoto, antecipando o pensamento de Rodolfo. – Sou Florisbelo Margarido.

     - Sou Rodolfo Crazyson!

     - Prazer em conhecer alguém tão gentil que mal me conheceu e já coçou minhas costas e disse que me levaria até uma cidade que nunca tive a oportunidade de visitar. Sabe, sempre falei muito mais com as plantas que com pessoas, então para mim isso é algo novo, mas... será posso lhe pedir um favor?

     - O que é?

     -As árvores andam muito preocupadas esses dias. Parece que um monstro ronda essa área, e a presença maligna dele as faz se sentirem mal, até mesmo interferindo na fotossíntese.

     - Está falando das gosmas?

     - Claro que não, elas são fracas demais para exercer alguma influência na natureza. Estou falando de uma criatura maior, com habilidade de pensar mais desenvolvida e a maldade no coração... Você sabe lutar, certo? Já que carrega uma espada com você.

     - Sei sim! E que bom que você notou, essa aqui é uma espada forjada pelo melhor ferreiro de Arenosa e, ainda que não seja realmente um cara importante, ela é incrivelmente boa! Sinto que posso derrotar qualquer monstro que vier quando estou com ela em minhas mãos!

     Rodolfo estava radiante de poder finalmente exibir o quanto adorava aquela espada para alguém. Tirou ela da bainha e girou por um instante, cortando o ar em movimentos que havia aprendido anos atrás, com Sensei. Sorriu para Florisbelo, e ele sorriu de volta.

     - Logo você terá de usá-la.

     - Como você sabe?

     - O monstro... está perto...

     Sem entender muito bem como ele poderia saber, Rodolfo guardou a espada e juntos começaram a caminhar conversando sobre assuntos aleatórios completamente sem importância. Alguns metros de distância, oculto pelas árvores, uma criatura os observava irritado, pensando em como faria o seu próximo passo.

----------------------------------------

     Já era noite e já estava difícil de se distinguir formas na escuridão. O ar estava cheio de sons de insetos e pequenas criaturas noturnas que passavam próximos às pernas dos dois companheiros de viagem. Ainda que eles fossem inofensivos, ainda assim haviam conseguido proporcionar alguns sustos ocasionais.

     Rodolfo queria ter parado de andar mais de duas horas atrás, mas Florisbelo havia insistido que se andassem mais um pouco chegariam próximos à base da Monstanha. Sendo assim, no dia seguinte chegariam a seu objetivo enquanto ainda fosse cedo.

     Florisbelo parou subitamente, causando uma parada súbita por parte do parceiro, que parou girando para encará-lo com estranhamento.

     - Ele parou... – disse Florisbelo – Tome cuidado, Rodolfo...

     - Com o que? Você faz isso sempre, cara? Porque eu to começando a... espera, o que é aquilo no chão?

     Nenhum dos dois haviam notado antes, mas uma garrafa estava posta na grama diretamente à frente deles, apenas 2 metros de distância.

     - Isso... isso é... – Rodolfo tentava entender claramente o que seria aquela garrafa. A resposta começou a lentamente surgir em sua mente, mas ele demorou a acreditar nela...

     - Uma garrafa de refrigerante? Que tipo de armadilha é essa?

     - Mais do que isso... é... COCA-COLA!

     Incontrolavelmente, Rodolfo partiu na direção daquela garrafa misteriosa. Florisbelo viu um brilho nas sombras e chamou por seu amigo, mas era tarde demais. Distraído com o refrigerante, o jovem não viu a lâmina descendo em sua direção pronto para parti-lo ao meio...

     Mas Rodolfo sentiu o golpe se aproximando e impedindo sua aproximação com a Coca-Cola. Jogou-se para frente, desviando do ataque e caindo abraçado de forma protetora com seu líquido sagrado. Não esperou mais do que o necessário, assim que teve a oportunidade começou a beber o refrigerante.

     - Tsc, maldito...

     Por um momento ele pôde ver a criatura. Segurando uma alabarda enferrujada estava um ser humanoide vestido apenas com uma tanga, de pele marrom com manchas verdes, rosto que parecia com o de um porco e nenhum pelo no corpo. Por um momento abriu a boca, e um cheiro de podridão invadiu a narina dos que estavam próximos. Não que tivesse impedido Rodolfo de saborear o refrigerante. A criatura deu um passo para trás e desapareceu.

     - Ele está se camuflando com as plantas e com as trevas! Rodolfo! Largue isso e lute contra ele!

     - Deixa só eu terminar!

     - Não! Deixa pra depois, ou ele vai nos matar! Eu não sei lutar!

     - Não sabe? Que decepção...

     Deixando a garrafa pousada no chão, Rodolfo se levantou e se aproximou do garoto planta. Florisbelo parecia tremer de medo, enquanto Rodolfo não havia mudado sua expressão.

     - Atrás de você!

     Seguindo a interjeição de susto do amigo, Rodolfo girou e se defendeu da arma enferrujada. Se livrou rapidamente do golpe, mas no intervalo que teve para mover o braço e atacar o monstro já havia saltado para trás e se escondido novamente.

     - Que droga, ele fica se escondendo...

     - É um monstro de Nível 3, não podemos relaxar.

     - Uia, como você aprendeu isso?

     - Lendo. Agora me deixe concentrar e...

     - Ah, é verdade... nunca li os livros que o Sensei me passava... Mas sei que Nível 3 não é algo que eu tenha dificuldade de enfrentar.

     - Pelo amor da Deusa, fique quieto! Não me deixa ouvir o som das árvores!

     - Er... O quê?

     - Foi assim que eu soube onde ele esteve esse tempo todo. Consigo ouvir o que as árvores falam, e elas me mantém atualizado com tudo que acontece nessa área.

     - Queria ter um poder maneiro como esse...

     - Esquerda!

     Não teve tempo de Rodolfo se defender adequadamente do golpe. Raspou toda a extensão do braço do garoto de cima à baixo, em um corte de quase um centímetro de profundidade. O monstro sumiu no mesmo instante.

     - Argh!

     - Essa não, essa não!

     - Calma, eu sou destro... Ainda da pra derrotar ele fácil... Foi idiotice minha não ter te deixado se concentrar no poder das árvores ai...

     - Espera, eu tive uma ideia! Vou compartilhar os poderes com você.

     Florisbelo segurou a mão ferida do seu amigo, que reagiu com um resmungo de dor. Infelizmente teria de ser assim, já que a mão da espada deveria continuar livre para defesa e ataque.

     - Agora feche os olhos. Acalme seu coração e tente ampliar sua mente e sua alma. Tenha em mente as inúmeras criaturas vivas ao seu redor, incluindo nós mesmo, os pequenos animais, as árvores, as gosmas... e o monstro que está atacando o bosque. Foque nas árvores, no marrom dos troncos... no verde das folhas... no balançar dos galhos ao vento... Concentre-se... Concentre-se... Concentre-se na voz que sai delas...

     - ...

     - Está concentrado?

     - Estou...

     - Está ouvindo?

     - Não.

     Florisbelo largou a mão de Rodolfo e ambos abriram os olhos. A expressão de raiva e, ao mesmo tempo, surpresa era indiscutível em seu rosto.

     - Não? Você não é humano...

     - Mas ele vai atacar pela esquerda.

     Girando o corpo rapidamente, decapitou a criatura e parou, em pé, exatamente no mesmo local. A cabeça havia caído bem ao lado do corpo e o sangue se espalhou pelo chão. Desapareceu em uma nuvem negra, como todos os monstros fazem.*

     - Co-como sabia por onde ele iria atacar?

     - É simples, esse cara era burro. Percebeu que dava certo atacar pela esquerda, então tava na cara que ele iria atacar de novo pela esquerda.

     - Genial... Escute, Rodolfo, vou passar ervas medicinais em seus ferimentos em um minuto. Apenas me deixe um momento em paz...

     - Fique a vontade.

     Florisbelo deu alguns passos para frente e olhou para cima, encarando a lua. Estava uma noite verdadeiramente linda. Fechou os olhos e o vento soprou forte em seu rosto, trazendo o cheiro de grama e folhas. As árvores sussurravam palavras de agradecimento.

     Rodolfo voltou a beber a Coca-Cola.

*Todos os monstros são formados de algo conhecido apenas como Trevas, algo imaterial que vem de outra dimensão por meio de pequenas (ou grande, as vezes...) falas no tecido da nossa realidade. Alguns monstros são formados de mais Trevas do que outros, os tornando mais fortes e mais inteligentes. Todos eles desaparecem quando são derrotados, suas Trevas voltando para o local de origem.
Gosmas possuem poucas Trevas e seu corpo é formado por acúmulo de partículas orgânicas, suas Trevas desaparecem instantaneamente.



« siggy »

É isso que o Eusine pensa de mim.


Última edição por Eusine48 em Seg 30 Dez - 13:13, editado 4 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Ter 10 Dez - 18:01

Eu não importei muito de ler esta fic, porque eu joguei o jogo da doença de lol inteiro...

Eu não importo muito com piadas de mal gosto, mas aprecio bastante a sua fic,
porque parece que tiraram esses xingamentos desnecessários. (Sério, como é que
um xingamento pode deixar uma história mais engraçada?)

Mas o Rodolfo me lembra um pouco do Eddy... Admito que até agora não notei muitas
mudanças fora as falas dentro da batalha... Mas as aventuras do Rodolfo só estão
começando, não é? Não se desanime. Você consegue!

« siggy »


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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Ter 10 Dez - 18:34

Para curar a doença de LOL, não é óbvio?

Esse narrador é estranho, fica com a régua medindo as gosmas.

Rodolfo é quase... fofinho quando fica mostrando a espada >_>

Florisbelo pode quase tattlezar, interessante...

(Especialmente quando as árvores são fofoqueiras)

Hm... E essa anotação no final é estranha, especialmente porque não tem anotação...

« siggy »
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Ter 10 Dez - 21:50

Pensei que quando os bosses eram derotados iam pra prisão do Sem Sei... Digo... Sensei. Para aprender a se tornarem bosses decentes. criarem vergonha na cara.

E quem disse que gosmas são fracas? Tem uma gosma que praticamente detruiu uma cidade inteira... Seu nome é Chaos.

Bom, o Florisbelo foi provavelmente separado daquela árvore na cidade do começo que provavelmente era a mãe dele.

E o Boss n falou nada em combate... Se ele falasse, poderia ser mais interessante/engraçado.
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Eusine48
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Ter 10 Dez - 22:23

Yeah! Update time! f2 

FireAlex escreveu:
Mas o Rodolfo me lembra um pouco do Eddy...

Hum... Certo, aqui vão as diferenças entre eles:

- Rodolfo é completamente avoado. Raramente presta total atenção a um assunto, e quando presta não interage grande coisa.
- Rodolfo é uma pessoa calma. Diferente de Eddy, que se estressa com qualquer coisa.
- Rodolfo é completamente puro. Não é difícil perceber que Eddy não é...
- Aliás, Eddy chinga, é violento, pervertido e mal educado. Rodolfo não tem a capacidade de ser assim.
- Rodolfo não... pensa em muita coisa. Não possui ambições, sonhos (além de, por exemplo, beber Coca-Cola) ou qualquer vontade de fazer algo diferente da vida. É completamente acomodado. Ele pode se aventurar se os fatos contribuírem para tanto, mas não é algo que esteja na sua lista de interesses.

Acho que você os comparou por eles terem uma capacidade mental não muito alta e um gosto pela luta, não é? Bom, creio que as diferenças entre eles sejam apenas essas.

Mr.Galleom escreveu:
Hm... E essa anotação no final é estranha, especialmente porque não tem anotação...

Não sei do que está falando... EVILtheREVENGE

Forasteiro Solitário escreveu:
E o Boss n falou nada em combate... Se ele falasse, poderia ser mais interessante/engraçado.

É verdade... Mas era um boss fraco, ele não era um monstro de nível alto o bastante para desenvolver a capacidade de falar e elaborar pensamentos complexos...

Capítulo 3 – Vida de Mons (Parte 1)

     A Monstanha (ou Grande Monstanha, para os insistentes) era a maior de todas as montanhas da A Ilha, com cerca de três mil metros de altura. Apesar de parecer imensa comparativamente naquele local isolado de tudo e todos, os habitantes faziam questão de não mencionar que a preciosa elevação rochosa local não chegava nem à posição de 150° maior do mundo.

     Para Rodolfo e Florisbelo, que nunca haviam saído da ilha e nem tinham perspectivas de o fazerem, encaravam a Monstanha com um misto de susto e admiração pela natureza. Não era possível a ver normalmente graças às outras montanhas menores que ocupavam a vista deles facilmente por onde quer que fosse pela ilha. O caminho pelo qual eles estavam seguindo por entre o bosque de Florisbelo foi cada vez diminuindo sua quantidade de plantas. Logo foi ficando mais estreito enquanto percebiam que passavam por um pequeno vale entre duas montanhas. Após uma pequena caminhada e uma súbita mudança de direção para o Leste puderam então encarar seu próximo objetivo.

     A Monstanha havia surgido para cima e para os lados subitamente para eles. Era grudada com os picos das montanhas menores ao redor. Mesmo que ambos não quisessem chegar a uma cidade próxima ao topo, iriam ter de subir até achar um ponto seguro para dar uma volta e então descer se o objetivo fosse prosseguir para o leste da ilha.

     - Hum... O que fazemos agora? – perguntava Florisbelo

     - Nunca fui muito bom em escalar, e parece bem arriscado tentar aqui... Que eu saiba, tinha uma caverna subterrânea por aqui em algum lugar. Ela deveria nos levar cada vez mais para cima cruzando o interior da Monstanha. Foi isso que o meu mestre disse numa aula de geografia.

     - E onde está essa tal de caverna?

     - Deveria estar aqui em algum lugar... Temos de procurar bem...

     - Está bem na frente de vocês.

     - Hãn? De onde veio essa voz?! – Rodolfo começou a procurar olhando para todos os lados. Não havia nenhum sinal de que outra pessoa estava ali. Deveria, portanto, estar escondida. Sacou a espada e esperou o pior enquanto continuava a procurar.

     - Er... Rodolfo? – Florisbelo cutucou o companheiro de leve.

     - O que foi? Encontrou o cara?

     - Sim. – disse enquanto apontava para o vulto à distância, a única pessoa por perto que poderia ter falado com eles.

     A montanha era incrivelmente íngreme. Pedra pura, aparentemente sem ponto para apoio. Ainda assim, aquela pessoa conseguia se manter em pé uns trinta metros de altura aparentemente sem usar apoio algum.

     - Aqui em cima, idiota! – gritou o homem.

     Subitamente, aquele homem misterioso deu um salto de seu lugar de apoio, caiu vários metros abaixo e repetiu o processo. Depois de um total de três pulos, chegou ao nível do solo, bem em frente ao herói e o garoto-planta que o seguia.

     O homem era alto (deveria ter 1,80m) e magro, aparentando ter mais de setenta anos. Com o rosto repleto de rugas, possuía o cabelo (que não era muito), as sobrancelhas grossas e o cavanhaque completamente brancos. Usava uma faixa vermelho escuro que tampava sua testa e permitia notar a existência dos vários tufos de cabelo que saiam do topo da cabeça.

    Usava uma capa grande de couro desgastado pelo tempo que cobriria facilmente o corpo inteiro se necessário. Porém, estava jogada para trás de forma a deixar livre a visão de um roupão de couro da mesma cor que a faixa na cabeça. Usava luvas de couro e não era possível ver o que calçava devido ao comprimento do roupão.

     Era tão branco que chegava a parecer pálido. Sua presença ali era incrivelmente imponente. Emanava uma estranha aura de poder antigo que os dois amigos nunca havia sentido antes. Dava vontade de se ajoelhar ali mesmo e pedir perdão pelos pecados cometidos, sejam lá quais eles fossem.

     Quando se virou para o lado, Rodolfo percebeu que era exatamente isso que Florisbelo estava fazendo.

     - ... e naquele dia que eu supostamente desrespeitei a Carvalho, saiba que estava gritando com aqueles cogumelos atrevidos que haviam crescido no tronco dela, eu juro...

     - Garoto...

     Rodolfo desviou os olhos de seu amigo e lentamente se virou para quem havia o chamado. O vento soprou na direção da Monstanha, e a capa do homem se sacudiu com a leve brisa.

     - Pode me dar uma... hum... informação?

     - Claro.

     - Você sabe quando vai ser a festa junina?

     A frase quebrou qualquer que fosse o efeito que o homem estava exercendo. Rodolfo sacudiu a cabeça e só então percebeu que o velho não era tão imponente assim. Notou que ele era corcunda e que tentava a qualquer custo puxar a capa mais para si para se proteger daquele vento frio. Até Florisbelo parou o que estava fazendo, olhou para cima subitamente e se levantou.

     - A festa junina foi dois meses atrás.

     - Sério...? Acho que escalar e descer essa montanha mexeu com o meu cérebro...

     Coçando o topo da cabeça, o senhor olhou para cima tentando entender como havia conseguido perder a data da festa junina...

     - Ai ai... Acho que então você pode ficar com minha bombinha de São João... Cuidado, ela é muuuuuuuito forte.

     Entregou a pequena bombinha cuidadosamente nas mãos de Rodolfo. Voltou-se para a Monstanha, se preparou para tomar impulso e...

     - Espera! –chamou Florisbelo – Você disse antes de descer aqui que a entrada para a tal caverna estava em nossa frente. Não vejo nada além de pedra.

     - Exatamente. – disse enquanto se virava novamente para os jovens – Houve um deslizamento recentemente e lacrou completamente a entrada. Vão ter que se livrar das rochas se quiserem continuar.

     - Ah, para isso nos deu a bomba de São João! Obrigado, senhor!

     - Claro que não. Só achei que vocês pudessem fazer algo divertido com ela. Se quiserem usar agora, por mim tanto faz.

     De uma só vez deu um salto de vários metros de altura. Alguns saltos a mais e ele já estava fora do alcance da vista.

     - Ele escala bem... – disse Rodolfo

     - É... Quando ele chegou você sentiu que-

     - Senti.

     Ambos gastaram os momentos seguintes pensando sobre o que havia realmente acontecido ali. Aquele velho misterioso havia causado algo neles... teria ele utilizado alguma magia? Se fosse esse o caso, ele não parecia demonstrar que estava fazendo isto de forma controlada.

     Rodolfo foi o primeiro a esquecer o que havia acontecido. Deu alguns passos para frente, firmou os pés no chão e esticou o braço direito para trás buscando impulso para atirar a bombinha.

     Florisbelo voltou à realidade tarde demais. Quando abriu a boca para gritar que o senhor havia dito para ter cuidado com a força da bombinha, o colega já a havia atirado na direção da sólida parede de pedra.

     Arremessado para trás pela súbita explosão de energia, Florisbelo caiu de costas tampando os olhos para se proteger da luz e dos fragmentos que caíram em seu corpo. O chão tremeu por vários segundos. Mesmo após já ter parado, Florisbelo continuava tremendo sem coragem de ver o que havia acontecido com o companheiro de viagem.

     Foi apenas após escutar um gemido fraco vindo de perto que Florisbelo resolveu abrir os olhos. Rodolfo havia sido jogado para trás com bem mais força que seu amigo, graças à proximidade com o local da explosão. Seus olhos não se focaram em Florisbelo quando este se aproximou, e a visão parecia se concentrar em algo distante. Apesar disso, ele parecia fisicamente bem. O único machucado visível era uma queimadura que ardia fortemente no lado direito do rosto dele, indo do queixo até chegar quase no olho, passando pela lateral da boca. Ainda que fosse um ferimento violento, era bem melhor do que Florisbelo estava pensando encontrar.

     - Rodolfo! Você está bem?

     - Tonto. Só isso.

     - O curativo que eu fiz ontem saiu. Espere ai, me deixe procurar ervas medicinais que eu deixei em algum galho meu e... e...

     - O que foi?

     - O ferimento já se curou...

     Ele se lembrava precisamente do dia anterior. Aquele monstro que os havia atacado havia atingido Rodolfo no braço esquerdo. E havia sido um dos piores ferimentos que havia visto na vida. Ela relativamente profundo e havia atingido toda a extensão do braço. Fora que a ferrugem traria a possibilidade de infeccionar ou transmitir alguma doença fatal...

     Mas lá estava um braço limpo de qualquer ferimento. Ainda que tivesse uma cicatriz, ela era apenas um fino fio que destoava do resto da pele perfeita, sem marcas. Ainda chocado, Florisbelo apenas retirou o resto das ataduras que haviam continuado presas onde haviam sido colocadas.

     Rodolfo esticou o braço esquerdo e Florisbelo o segurou, ajudando o herói a se levantar. O braço também estava forte como antes.

     - Deveria ter me afastado bem mais...

     - Rodolfo... Como você curou seu machucado tão rápido?

     - Não faço ideia. Sabe, eu sempre fui assim, me curando rápido. Mas admito que dessa vez foi extremamente mais rápido que o normal. Isso raramente aconteceu, e nunca entendi o motivo também. Mas veja, abrimos o caminho para a caverna!

     O caminho que ele mencionara era nada mais que um enorme rombo de 25m² que haviam aberto na base da Monstanha. Havia matado a pouquíssima grama que havia perto e tombado uma pequena árvore que havia se atrevido a crescer ali.

     -Vamos! Quanto mais cedo chegarmos lá em cima, melhor!

     Ainda sem reação pelas coisas que havia passado naquele dia que havia acabado de começar, Florisbelo começou a pensar o quanto aquela pequena aventura já o levara a enfrentar. Por um momento, teve a certeza de que o melhor a se fazer era virar-se de costas e correr desesperadamente para o conforto de seu lar. Mas as suas pernas tremeram e vacilaram, e quando Rodolfo se virou metros depois para ver o que havia acontecido com o companheiro e o chamou, Florisbelo avançou para a Monstanha. Desta vez seu destino estava selado.

----------------------------------------

     Estavam em um corredor de pedra bruta largo o bastante para andar três pessoas lado a lado sem problemas. Era uma subida desde o momento que primeiro pisaram no interior da Monstanha. Escureceu após poucos metros e Rodolfo acabou por descobrir (da pior maneira possível) que o caminho possuía diversas curvas súbitas. Na primeira que surgiu já estava difícil de se enxergar, então é natural que o jovem loiro tenha batido de cara na parede.

     Ao olhar para a direita (direção pela qual o caminho agora seguia) puderam ver o brilho de uma tocha acesa mais de vinte metros à frente. Sorrindo com a possibilidade de iluminação, Rodolfo imediatamente decidiu esquecer sua dor. Com um sorriso, continuou sua caminhada.

     Um breve bater de asas chamou a atenção de ambos para cima. Um morcego voava na direção deles. Com pelos marrons cobrindo praticamente todo o seu corpo, com a exceção de seus olhos, asas e garras negras, aumentara sua velocidade e abrira a boca ao notar a presença de estranhos naquele lugar.

     - Olha só, um morcego! Primeira vez que vejo um!

     - Ele se alimenta de sangue! Se defenda!

     - Por que você não se defende também?

     - Eu tenho seiva, não preciso me preocupar.

     O morcego mordeu a mão de Rodolfo, que começou a desesperadamente o sacudir. Sem efeito, teve de bater ele contra a parede forte o bastante para que ele abrisse a boca e caísse no chão sem se mover.

     - Esse coiso tem uma boca forte...

     Começou a enxugar o próprio sangue que saia dos buracos dos dentes caninos em sua mão na própria camisa.

     - Sua roupa é imunda, cara. – Florisbelo teve de dizer. E realmente era. Cheia de sangue seco por todos os lados, alguns cortes abertos e outros costurados, e ainda coberta de terra das vezes em que Rodolfo acabara caindo no chão por algum motivo. Provavelmente nunca havia sido lavada.

     - Sério? Nem notei...

     - Claro que falo sério! Acho bom comprarmos uma nova nessa tal cidade que estamos indo.

     - Tudo bem, se você acha que é necessário...

     Não houve muito tempo para continuar a conversar. Novamente o som de bater de asas os sobressaltou e direcionou ambos os olhares para cima. Deste vez o som havia sido ampliado em dezenas de vezes graças à vontade que todos compartilhavam ao mesmo tempo de saborear sangue novo. Alguns morcegos se destacavam dos demais graças a uma estranha coloração rosa.

     - Uia, não esperava por essa subespécie aqui na Monstanha...

     - Ei, me ajuda aqui!

     Só então percebendo que o amigo ao lado fazia de tudo pra bater nos morcegos com sua espada ainda na bainha, retirou um galho de dentro de sua moita e começou a brandir contra os pequenos mamíferos.

     - Eles -ai!- não param de -argh!- me morder! Não queria fazer isso, mas –argh!- vou usar o meu...

     - Não mate eles! Deixa que eu cuido disso! Erva Daninha!

     Pequenas plantinhas voaram de todo o interior do arbusto que cobria Florisbelo e atingiram todos os morcegos que estava próximos a ele. Quase que imediatamente, eles começaram a perder o controle do voo enquanto tentavam se coçar com as assas e as patas ao mesmo tempo que se mantinham no ar. Sem mais a concentração necessária para morder Rodolfo, começaram a ir embora da maneira que podiam.

     -Viu só? Haha, eu também posso ser útil no campo de batalha as vezes! Rodolfo?

     - Belo trabalho, mas acho que eu prefiria ficar sangrando.

     Rodolfo estava com sinais de mordida pelas partes descobertas do corpo. Ou seja, toda a extensão dos braços e algumas partes do rosto. Mas pior que isso é que ele havia sido atingido diretamente pelas ervas daninhas de Florisbelo. Coçava desesperadamente todas as partes do corpo, tentando alternar entre elas. De qualquer forma, sempre havia alguma parte desconfortavelmente pinicante. Encostou as costas na parede e começou a se movimentar para cima e para baixo.

     - Me desculpe...

----------------------------------------

     Após mais de duas hora de caminhada para cima, nada de diferente havia acontecido.

     O fogo que eles viram ao longe estava preso à um suporte de metal e, portanto, eles não puderam retirá-lo para iluminar o resto do caminho. Por sorte, outros suportes acessos continuaram a aparecer periodicamente, fazendo-os alternar entre momentos às claras e às escuras. Após algumas dezenas de metros depois de terem deixado o primeiro fogo para trás, novamente encontraram uma súbita curva para a direita. Rodolfo se chocou com a parede outra vez, dessa vez caindo no chão. Havia perdido o equilíbrio ao tentar caminhar e coçar uma perna com a outra ao mesmo tempo.

     Após dar de cara na parede uma terceira vez, Florisbelo o aconselhou a andar com a mão esticada um pouco à frente do corpo. Dessa forma, quando a mão encontrasse algo diferente em frente, o corpo pararia imediatamente. Não impediu Rodolfo de se chocar uma quarta vez.

     Quanto aos ferimentos provocados pelos morcegos, Florisbelo havia ficado relutante em se oferecer para passa as ervas medicinais nos machucados. Afinal, eles não se curariam sozinhos? Mas enquanto olhava para os buracos abertos, via apenas o sangue continuar a escorrer e aumentarem de tamanho quando Rodolfo os arranhava para tentar se livrar da coceira. Não pôde resistir a mais tempo observando aquilo, e pôs-se a tratar das feridas.

     As bandagens e as ervas haviam aliviado a coceira momentaneamente, mas logo depois ela havia recomeçado com força total. Mesmo após a hora passada, Rodolfo continuava a coçar furiosamente tudo o que podia.

     - Bom saber que você tem um poder tão devastador assim...

     - Novamente, me desculpe. Mas era o jeito mais fácil de nos livrarmos dos morcegos sem os machucar...

     - Eu já te desculpei mas, cara, como isso coça... Se eu pudesse eu- olha, uma caixa!

     Finalmente algo para distrair a cabeça de Rodolfo. Correu para abrir aquela pequena caixa retangular de madeira no chão. Não ligou para o esqueleto jogado ao chão que continuava a segurar uma espada desde mais de um século que resolvera morar ali.

     Florisbelo sorriu e estranhou o fato do amigo ter parado imediatamente de se coçara. Tinha se surpreendido, mesmo tendo sempre em mente que o efeito do seu golpe nunca havia durado tanto tempo assim. Levemente perdido em pensamentos, novamente só notou o perigo no momento errado. O esqueleto jogado ao lado da caixa se moveu no exato momento que a caixa era aberta pelo garoto loiro.

     - Rodolfo!

     Dois esqueletos idênticos ao que estava deitado saltaram de dentro da caixa, brandindo suas espadas enferrujadas contra o garoto. Simultaneamente, o que já estava fora havia se levantado e preparava um golpe horizontal.

     Agindo rápido, Rodolfo ergueu sua espada e defendeu dos golpes que viam verticalmente em sua direção. Com a mão esquerda segurou o cabo da espada do esqueleto que esteve o tempo todo no chão, impedindo-o de sequer iniciar o ataque.

     - Vocês... me enganaram! Golpe Giratório!

     Largando o punho do outro e se livrando das duas espadas que o ameaçavam, Rodolfo rodopiou o corpo e atingiu os monstros na altura da cintura, fazendo com que seus ossos se desgrudassem do corpo e as criaturas ficassem sem sustento para si próprias, caindo no chão e se partindo em pedaços.

     - Que saco, e eu achando que haveria refrigerante ai dentro... Cara, qual era o nível desses monstros, você sabe?

     - Eles eram de Nível 2. Por quê?

     - Isso explica... Por nada, apenas gosto de comparar. Bom, vamos continuar?

     Florisbelo acabara de decidir que Rodolfo era insano demais para sentir algum medo das situações que passava. Isso provavelmente iria fazê-los passar por situações difíceis no futuro... Ou melhor, certamente iria.

     Atrás deles os ossos lentamente se agrupavam de novo e, novamente, um esqueleto estava formado. Levantou o resto de seus companheiros e colocou tudo dentro da caixa, junto com duas das espadas. Depois disso, sentou-se no chão e voltou a dormir.

     Ficaria assim até outra pessoa tentar abrir a caixa, sem importar o tempo que isso fosse levar.

----------------------------------------

     Mais uma hora de caminhada e mais duas colisões com a parede depois, ambos puderam finalmente avistar uma luz diferente das chamas periódicas em suportes de metal. A luz do crepúsculo que chegava por entre uma grande abertura na rocha. Apenas duas dezenas de metros os separavam da cidade.

     - Chegamos Florisbelo!

     Animado, Rodolfo começou a correr na direção da saída. Não se tocou que seus pés faziam um barulho diferente do habitual ao pisar no chão. Nem mesmo ligou para os pequenos guinchos de ameaça que eram direcionados para ele.

     - Rodolfo, você não percebeu onde está pisando?

     - Hãn? Qual o problema dessas pedrinhas brancas?

     - Pare! Preste atenção em volta, você está cercado!

     Só então Rodolfo decidiu parar e olhar melhor ao redor. As rachaduras da pedra também estavam cobertas daquelas pedras brancas... Olhando melhor, percebeu que todas elas estavam cobertas de teia. Enquanto continuava a observar, notou pequenos olhinhos negros se movendo em meio aos pequenos corpos escuros que caminhavam lentamente em direção do invasor, guinchando a abrindo as presas.

     - São parecidas com as aranhas do Bosque Primário. Tem até o mesmo tamanho delas.

     - Elas têm uns trinta centímetros! Você não tá preocupado? Mata elas!

     - Por que eu não posso matar os morcegos mas posso matar aranhas?

     - Aranhas fazem casa indevidamente em árvores e espalham suas teias por ai de forma desagradável! São criaturas cruéis!

     - Então você só defende um animal se ele é amigável com as suas amigas árvores... Tudo bem então.

     Sacando a espada, Rodolfo começou a atingir as aranhas que, ao verem a reação contra elas, começaram a saltar no jovem. Rodolfo havia descoberto da pior maneira que picada de aranha não era algo que valesse a pena suportar. Não apenas com a lâmina da espada, começou a pisar nas que podia. Desviava com destreza e não deixou nenhuma das que saltava nele o atingir com as presas.

     Não demorou muito para que elas percebessem o quando era em vão o ataque contra o invasor. Sorrindo ao ver elas se afastarem, Rodolfo se virou subitamente ao perceber uma sombra caindo sobre si e tampando a entrada da luz do sol.

     Uma aranha gigantesca havia surgido de uma caverna secundária, ocupando toda a largura do corredor de pedra. Com certeza não aparecia com frequência em um local claro como aquele, e só havia aparecido por que a luz do Sol já estava fraca o bastante.

     - Minha Deusa! Rodolfo!

     - Você se preocupa demais, cara! É igualzinho a que mora perto de casa. Bom... morava... Enfim, saca só isso! Punho Elétrico!

     Ativou a eletricidade pelo seu corpo, fazendo com que pequenas faíscas começassem a rodar pela sua mão. A aranha gigante hesitou um momento, dando passos para trás e foi facilmente atingida entre os olhos, o que a fez rugir de fúria.

     - Uia. Talvez ela não seja tão parecida com aquela. Essa aqui é bem mais resistente.

     E também era mais rápida. Aproveitando o momento que Rodolfo abaixara a guarda, se jogou para frente e fincou as presas no braço direito do garoto.

     - Argh!

     - Rodolfo!

     - Eu estou bem, nem doeu tanto quanto eu esperava. Hehe, esse meu grito era pra ser por causa da dor equivalente ao que estava imaginando. O que aconteceu? Pensei que esse coiso fosse bem mais forte.

     - Aposto que essas pinças estão cheias de veneno! Ela não mata com a mordida, e sim com o veneno que manda para suas veias!

     - Pare de gritar, tá tudo bem comigo, cara. Sou imune à veneno.

     - C-como?!

     - Também não sei. Você gosta de fazer essas perguntas difíceis para mim, não é?

     - Você... tem certeza?

     - Tenho sim. Ei, alguma ideia para vencer dessa aranhazinha?

     Florisbelo olhou para o enorme aracnídeo. Ele estava parado, aparentemente sem entender também o que havia de errado. Não era do padrão, seu veneno já deveria ter tido efeito em sua presa. Mas não ficaria muito tempo parado daquela forma, logo ele iria notar que o veneno não havia dado certo e voltaria a atacar. A luz diminuía e ele começava a abrir mais os olhos.

     - Use novamente sua técnica, mas não ataque.

     Rodolfo ativou novamente sua habilidade elétrica, fazendo o punho ficar coberto de faíscas. A aranha gigante recuou.

     - Consegue aumentar a potência?

     - Claro que sim!

     Aumentando ao máximo que pôde, os braços de Rodolfo ficaram inteiramente cobertos de faíscas. A aranha rugiu quando foi cegada pela quantidade de luz em excesso para ela. Fugiu o mais rápido que pôde para sua caverna escura, se chocando com a parede várias vezes até conseguir entrar, já ferida de sangue em vários pontos. As aranhas menores a seguiram para dentro. Rodolfo “desligou” seu poder.

     - Ideia brilhante a minha, não?

     - Não! Eu queria luta contra o monstro e não fazê-lo fugir! Isso é coisa de covarde!

     Emburrado, Rodolfo guardou a espada e cruzou os braços, caminhando para a saída da caverna.

     Florisbelo começou a perceber o quão fascinante seu novo amigo era. Será que algum dia descobriria a explicação para todas aquelas coisas estranhas envolvendo Rodolfo?

     Duvidava muito.

----------------------------------------

     A cidade inteira havia sido construída numa parte da Monstanha que dava uma pausa em sua eterna subida, em uma região subitamente plana cercada de pedra por todos os lados. Continuava a subir por vários metros de forma íngreme após o lugar onde a concentração de moradias era maior.

     Rodolfo planejava ir ao Macumba’s Place para tentar arrumar uma cura para a Doença de LOL e alguma cura para a loucura de Florisbelo em pensar que era planta. Enquanto isso, Florisbelo planejava perguntar de alguma daquela pessoas peritas em macumba se saberiam a explicação dos estranhos fatos envolvendo Rodolfo.

     Decepcionaram-se ao saber que não existia nenhum Macumba’s Place no lugar, muito menos alguma macumbeira. Teriam de apelar para, no máximo, a loja de poções local. Florisbelo decidiu comprar logo uma roupa nova para Rodolfo quando passaram por uma loja de armaduras, já que o garoto começara a feder.

     No instante antes de entrar na loja, Rodolfo reconheceu um vulto à distância, de cócoras encostado na parede de pedra que marcava o limite da cidade pelo lado oposto ao que entraram. Correndo, foi verificando que era realmente quem ele pensava...

     - Ótimo... Isso é ótimo... Muito bom...

     - Eu conheço você!

     O velho se virou. Possuía uma roupa rasgada após usá-la por anos seguidos. Uma barba enorme e suja, com um osso amarrado a ela como adereço e o rosto indiscutivelmente sujo de uma pessoa acostumada com a mendigagem de anos.

     - Josefo, o mendigo lá da Cidade em que Você Começa! Todos ficaram preocupados com sua ausência, o que você faz aqui?!

     O mendigo se virou sobressaltado. Nunca havia imaginado que voltaria a ver algum dos cidadãos da Cidade em que Você Começa novamente. Começou a tremer enquanto fazia de tudo para pensar numa resposta rápida da melhor maneira possível.

     - Rodolfo! Eu... Bem, eu...

     Não conseguiu. Desesperado, saiu correndo e gritando em direção da caverna que o levaria para baixo.

     - ...

     - Quem era aquele? – perguntou Florisbelo, quando finalmente alcançou Rodolfo.

     - Apenas um conhecido...

     Pode finalmente observar sobre o que Josefo estava se debruçando: um humano recém-morto.

----------------------------------------

     Rodolfo não passou muito tempo pensando no assunto. Josefo sempre havia sido um completo mistério para ele e para o resto da cidade, e pelo jeito continuaria sendo. Florisbelo havia ficado bastante intrigado, mas ele estava mais preocupado com qual roupa seu amigo iria sair dali vestindo. Entrou numa loja que tinha em sua placa de entrada escrito “Armaduras/Armas”.

     Aparentemente, o interior também era dividido em dois da mesma forma que a descrição da loja. O balcão que cercava o lado oposto da entrada estava partido ao meio, separando dois homens adultos, claramente gêmeos. Ambos se entreolharam com raiva quando Rodolfo e Florisbelo entraram. Indeciso, Rodolfo andou sempre visando o meio da loja. O olhar dos homens o seguia.

     A única diferença visível entre os homens era que o da direita havia decidido deixar o cabelo inteiramente branco, enquanto o da esquerda pintara de castanho. Ambos usavam uma roupa coberta de cinzas graças ao tempo passado forjando seus itens que agora estavam à venda. Até o modo como haviam penteado os cabelos para trás era igual.

     - O que deseja? – disse o de cabelos brancos, da direita. – Há! Falei primeiro!

     - Cale a boca. – disse o outro sem olhar mais nos olhos do irmão

     - Eu queria comprar uma roupa nova. Talvez uma armadura maneira, mas não muito cara já que eu não tenho muito dinheiro.

     - Há! – disse o homem da esquerda – Venha comigo, eu cuido disso.

     - E-espere! Não gostaria de uma nova espada?

     - Não precisa, essa aqui já é mais do que excelente.

     - Eu faço melhor! Eu garanto, rapaz! Apenas me dê o necessário de tempo e eu lhe darei a melhor espada que eu possa fazer!

     - Jura? E por quê?

     - Tudo para vencer a concorrência desleal aqui na cidade.

     O olhar dos gêmeos se encontrou e sentimentos interligados de ódio familiar voaram pela loja e se chocaram no meio da divisão dos balcões. O de cabelo branco cruzou os braços e virou a cara, enquanto o de cabelos castanhos procurava algo perfeito para o jovem loiro à sua frente.

     E Rodolfo continuava sem entender nada.

----------------------------------------

     Entraram, então, na loja de poções local. Felizmente, apenas um simples balcão os separava do vendedor, um homem de jaleco branco, bigode e cabelo castanho e enormes óculos de grau que discutia com uma galinha.

     O local era estranhamente iluminado com várias chamas verdes presas em suportes de metal similares aos que Rodolfo e Florisbelo haviam encontrado em toda a extensão o caminho que percorreram no interior da Monstanha. A loja de poções possuía vários itens à mostra, nenhum dos quais Rodolfo reconhecia.

     - Me transforma! – gritava o galináceo

     - Hum... Não.

     - Mas por que não?

     - Eu só trabalho se receber algum incentivo financeiro... Entende?

     - Mas eu já disse que tenho dinheiro!

     - Que pena, eu não trabalho com animais...

     - Mas eu sou humano!

     - Você parece mais com um frango para mim.

     - EU SOU HUMANO! VOCÊ SABE!

     - Eu sei?

     - VOCÊ SABE! FOI VOCÊ QUEM USOU AQUELA POÇÃO E ME FEZ VIRAR UM FRANGO!

     - Sério? Não me lembro...

     - SEU FDP!

     - Sem palavrões na minha loja! Terei que pedir que você se retire.

     - Eu falei Filho dum Peru!

     - Soou o bastante como um palavrão para mim.

     - SEU MALDITO! EU VOU TE DENUNCIAR!

     - Por quê?

     - VOCÊ SABE POR QUE, FDP!

     Irritado, o frango abriu caminho entre Rodolfo e Florisbelo e saiu gritando sozinho graças a tanta indignação.

     - Que frango irritado... – comentou Rodolfo

     - Eu concordo. – respondeu o dono da loja – Mas eu adoro brincar com ele, haha! De qualquer forma, que bom que você veio à minha loja, Rodolfo...

     - Como sabe meu nome?

     - Ora... Você é o personagem principal!

     - Sou?

     - Na verdade, isso faz certo sentido... – disse Florisbelo para si mesmo. Estava mais perdido em pensamento do que nunca.

     - Tanto faz... Ei, por algum acaso você ouviu falar da Doença de LOL? – falou Rodolfo, tentando ser o mais direto possível

     - Já sim. Sei que você busca pela sua cura, mas temo que eu não possa dar a vocês. É algo muito mais complexo do que minhas capacidades são capazes de executar aqui em minha loja de poções.

      - Droga... Alguma ideia de quem possa nos ajudar?

      - O velho senhor da Monstanha talvez tenha a resposta. É um velho semi-imortal que mora no topo da Monstanha.

     - Velho semi-imortal... Será que era aquele velho...   Como chegamos até ele?

     - Precisam passar pela prefeitura, onde há uma passagem secreta para uma caverna que leva até o topo. E, para isso, vão precisar da autorização do prefeito.

     - Que saco... Bom, acho melhor irmos lá agora mesmo.

     - Já está tarde, o prefeito não irá receber mais visitas a essa hora. Fique e durma aqui, amanhã cedo você vai para a prefeitura.

     - Obrigado, cara estranho que vende poções!

     - Não foi nada! Ah, querem aproveitar para comprar algo?

     - Ah, eu quero! – disse Florisbelo, finalmente voltando à ativa na conversa. – Preciso comprar algumas ervas medicinais.

     - Pensei que todas elas saiam de você... – disse Rodolfo

     - Nem todas, Rodolfo. Nem todas.


« siggy »

É isso que o Eusine pensa de mim.


Última edição por Eusine48 em Seg 30 Dez - 13:28, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Qui 12 Dez - 13:48

Ah, obrigado por notar as diferenças! E também notei a diferença entre os dois porque o Eddy tem uma obsessão com a Lasanha parecida com o Rodolfo com Coca-Cola. Agora o anti-clone do Eddy parecia mais simpático que o original... Ainda melhor que o meu Galleom.

Então o Rodolfo é o herói idiota comum, estou certo?

Rodolfo não era imune contra o veneno no crossover? Como que ele está sofrendo contra a mordida do morcego?

Algo me diz que o Josefo é um assassino muito cruel no coração, segurando e desbruçando uma pessoa morta...

A sua fic agora me lembra mais dos livros que os meus... Muito bom!

« siggy »


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Eusine48
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MensagemAssunto: Capítulo 4 – Vida de Mons (Parte 2)   Qua 18 Dez - 8:30

Hey, Patherianos! Desculpe pelo atraso de um dia para postar esse update.

Este aqui é bem maior do que os outros, o que provavelmente serve como desculpa. Oooooooopa... Sinceramente, acho que esse talvez seja o que foi mais bem escrito (não em sua totalidade, mas tem créditos mesmo assim). A cena de batalha está boa, acredito, mas é algo que pretendo melhorar ainda mais no futuro.

Forasteiro Solitario escreveu:
Pensei que quando os bosses eram derotados iam pra prisão do Sem Sei... Digo... Sensei. Para aprender a se tornarem bosses decentes. criarem vergonha na cara.

É porque quis deixar algumas coisas como sendo completamente exclusivas do universo do jogo, assim como os vendedores primos gêmeos e os personagens mencionarem "HP e MP" por ai.

FireAlex escreveu:
Então o Rodolfo é o herói idiota comum, estou certo?

Não é exatamente a descrição que eu estava pensando, mas... Pode-se dizer que sim.

FireAlex escreveu:
Rodolfo não era imune contra o veneno no crossover? Como que ele está sofrendo contra a mordida do morcego?

Que eu saiba, morcegos não possuem veneno algum. Mas eles chupam sangue, o que é motivo o suficiente para se sofrer com a mordida.

Capítulo 4 – Vida de Mons (Parte 2)

     Por mais que o vendedor de poções tivesse agido de forma gentil por toda a estadia de Rodolfo e Florisbelo em sua casa, ele não deixava de ser estranho e ligeiramente desagradável.

     Não importava as vezes que ambos os hóspedes perguntassem o nome do homem, ele simplesmente agia como se não tivesse ouvido coisa alguma. Uma vez chegou até mesmo dizer “Por que vocês são tão calados?” na hora da janta. Decidiram chama-lo simplesmente de Doutor, fato que ele não expressou qualquer tipo de reação.

     A janta estava boa, apesar de estranhamente apimentada. As camas estavam extremamente confortáveis e ambos dormiram quase que instantaneamente quando se deitaram. Acordaram com uma estranha sensação na parte final de seu tubo digestório e completamente sem fome. Ao explicar o fato para Doutor e falar que não iriam tomar café da manhã, ele apenas sorriu e fez anotações em uma pequena caderneta. Florisbelo pensou ter o escutado dizer algo como “Perfeito”.

     A prefeitura ficava o mais precisamente possível no centro da cidade. Encostado, como grande parte das casas, em rocha bruta. Era apenas ligeiramente maior que a maioria das moradias e, como todas naquela cidade, não possuía nenhuma janela.

     - Er... Todas as casas sempre não tiveram janelas? – perguntou Rodolfo

     - Sempre eu não sei. Mas elas não tinham ontem, quando chegamos aqui. Estranho você não prestar atenção na ausência de algo tão importante...

     - Hum...

     Juntos entraram na prefeitura da cidade. Esta era dividida interiormente em três partes: Uma central onde deveria ser o local em que o prefeito cuidava de suas tarefas administrativas, uma lateral à esquerda onde estava disposta várias cadeiras onde diversas pessoas aguardavam calmamente e uma à direita que levava à uma porta de madeira cercada por guardas em armadura (os únicos que haviam visto por ali até o momento).

     Rodolfo seguiu pelo caminho central e cutucou um senhor de idade vestido de smoking que olhava para dentro da sala.

     - O Prefeito já vai falar com você! Espere a sua vez! – respondeu pronta e ligeiramente, se virando para a posição inicial de imediato.

     - Espera ai, eu só quero saber sobre a-

     - Por favor, seja mais paciente! O novo prefeito está cuidando de importantes assuntos!

     Sem muitas escolhas, Rodolfo e Florisbelo seguiram para a sala da esquerda e sentaram próximos a um homem coberto por um capuz escuro e que vestia um manto completamente negro.

     Em frente a eles, duras mulheres fofocavam e algumas crianças brincavam com uma bola colorida. Poucas cadeiras de distância os separavam do frango irritado que haviam visto no dia anterior. Parecia que apenas eles, o frango e o homem de preto realmente aguardavam para conversar com o prefeito.

     - Olá, me chamo Rodolfo. – disse Rodolfo para o homem ao seu lado, em uma visível tentativa de puxar assunto. – Estou ansioso para falar com o prefeito, você não?

     - Hehe... Claro que sim. Eu estou simplesmente ansioso para matar o Prefeito Substituto... Não, eu quis dizer... Eu quero fazer o Substituto Prefeito conhecer a minha faca... Não! Eu quero que ele se engasgue no próprio sangue e...

     - ...

     - Melhor eu ficar quieto agora...

     Visto que Rodolfo havia realmente tentado esperar sentado a sua vez, decidiu se levantar e tentar novamente dialogar com o prefeito. Florisbelo continuou sentado em seu lugar, pensando sobre glicogenólise.

     - Ei, eu...

     Com o susto, o homem deu um salto e se virou, pálido e furioso, para encarar o jovem que o havia importunado.

     - Garoto! Pare de me perturbar!

     Se sentindo culpado por ter assustado aquele senhor, Rodolfo se retirou novamente para a sala ao lado, onde notou um garoto de cabelo verde, morador daquela cidade, cuja presença havia antes ignorado. O jovem sorriu ao notar que o garoto loiro de sua idade iria sentar ao seu lado. Foi o primeiro a falar algo.

     - Oi, como vai!

     - Oi! Tá fazendo o que aqui?

     - Nada!

     - ...

     - Sabe, é costume de o pessoal daqui ir vez ou outra até a prefeitura fazer simplesmente nada, ou talvez perguntar como o Prefeito está, e parece que o novo ainda não percebeu isso. De qualquer forma, eu venho aqui as vezes só para encher o saco do mordomo do Prefeito! Ele sempre se irrita muito fácil, ainda mais agora que ainda está abalado com a morte do Prefeito.

     - Eu percebi. Falei com ele algumas vezes e ele fez questão de gritar comigo em todas.

     - Eu sei até um jeito de ele se irritar tanto que você consegue passar e falar com o Substituto do Prefeito!

     - Como?

     - Fácil! Tenta conversar com ele! Bastante! Como você já encheu o saco dele algumas vezes, agora deve faltar pouco para que ele se irrite.

     - Certo! Obrigado, aleatório!

     - Não foi nada!

     - Florisbelo, vamos!

     - Você não pode furar fila, cara!

     - Vamos apenas passar direto, não vamos ficar nem um minuto!

     Se apressando, Rodolfo cruzou aquela área de seguiu rapidamente até o mordomo.

     - Ei, tiu!

     - Não me assuste! E o que eu já falei sobre entrar antes da hora? Volte para a sala de espera!

     - O dia está lindo, não?

     - Não.

     - De onde vem a água que vocês consomem aqui? Ela é uma delícia e...

     - PARA DE ME PERTUBAR, FILHO DO CAPETA!

     - É só nos deixar entrar.

     - NÃO!

     -Bom, como eu ia dizendo, a água me pareceu tão molhada que nem parecia...

     - TA, ENTRA LOGO!

     Havia sido muito mais fácil do que o esperado. O mordomo simplesmente saiu do caminho e fez um sinal apressado com a mão para que os dois garotos entrassem na sala principal da prefeitura.

     Não havia decoração alguma nas paredes ou no chão, além de um carpete vermelho barato. O único móvel era uma enorme cadeira vermelha da mesma cor que cobria todo o chão, e sua função era abrigar um prefeito gordo e preguiçoso demais para ousar sair dela sem incentivo. Atrás dele, água caia de uma cascata artificial para uma pequena piscina, que possuía um motor que levava a água para cima onde recomeçaria o ciclo de cair infinitamente.

     Além da barriga facilmente notável, o prefeito usava um casaco marrom desbotado com o símbolo do clã de Mercadores de Logran. A boina roxa cobria seu curto cabelo castanho, fato que não era nem de longe importante o bastante para desviar a atenção que o largo bigode merecia só para si. Os anos de existência daqueles pelos faciais haviam o transformado no dono de metade de um rosto inteiro, com intenções para expansão de territórios.

     - O que eu faço, o que eu faço...?

     - Ei, tiu...

     O Prefeito Substituto virou o rosto subitamente na direção do som, jogando o corpo para trás se chocando com o estofado macio da poltrona, arrastando-a um pouco sem se tocar que fazendo isto apenas o levava alguns centímetros mais para perto da piscina.

     - De onde é que vocês vieram! Eu disse para o mordomo não deixar ninguém passar!

     - Nós estressamos ele!

     - Ele realmente precisa aprender a controlar a raiva... Agora saiam daqui, pirralhos! Esperem sua vez do lado de fora!

     - Espera ai! Podemos ajudar você com seu problema! – se manifestou Florisbelo

     - Como sabe que eu tenho um problema? – perguntou o Prefeito Substituto.

     - Como sabe que ele tem um problema? – perguntou Rodolfo.

     - É por que quando chegamos você estava reclamando de alguma coisa...

     - Ele tem razão! – disse Rodolfo, sorrindo triunfantemente.

     - Eu tenho mesmo um problema... Sabe, o Prefeito foi comido pelos monstros da terrível Caverna Plantosa...

     - Esse nome me soou meio racista, mas... É o caminho pelo qual se pode chegar ao topo da Monstanha?

     - Exatamente.

     - Bom, realmente podemos ajudar com isso. Queríamos mesmo seguir por este caminho, e podemos resolver o problema lá dentro. Sabe, Rodolfo aqui adora enfrentar monstros, ele já derrotou vários de nível alto com facilidade.

     - Se você chama aquilo de nível alto... – disse Rodolfo enquanto coçava a cabeça.

     - Bem, se vocês se garantem lá em cima, acho que não tenho motivos para impedi-los.

     Dizendo isso bateu palmas e, do teto, de um buraco que não haviam notado, uma grande vinha saiu e veio descendo rapidamente até chegar próxima ao chão. Entendendo o recado, Rodolfo sorriu e se agarrou à vinha, começando a escalar. Parou próximo ao topo, para olhar pra baixo, sorrir e acenar. Florisbelo apenas se agarrou à vinha e esta começou a subir sozinha, fato que deixou o Prefeito Substituto levemente abismado.

     Após ambos terem sumido de vista e antes que o Substituto pudesse voltar a se preocupar com o problema iminente (“Obvio que aqueles garotos vão simplesmente morrer!”), escutou um barulho vindo do lado de fora. Parecia que alguém estressava o mordomo. De novo.

     A porta se abriu com um grito de raiva do mordomo, revelando uma figura vestida apenas de negro, com o rosto completamente encoberto por um grande capuz. Um brilho refletido veio de uma faca que ele sacava de sua cintura.

     Com o medo, o Prefeito Substituto se jogou para trás, abraçando a parte de trás da sua grande cadeira, a jogando novamente alguns centímetros em direção da piscina. Dessa vez, finalmente fazendo o pé da poltrona escorregar pela borda e cair na água, levando junto seu gordo dono.

     - Socorro! – gritou em meio à água que engolia e aos espasmos que fazia ao se sacudir loucamente procurando de alguma forma flutuar de volta para a borda e para fora.

     A figura obscura guardou sua lâmina e virou-se de costas, indo embora. Aquele ali não merecia seu serviço, e nem precisava mais dele.

----------------------------------------

     Dessa vez a caverna era apenas uma subida reta até o topo, sem curvas desnecessariamente súbitas e sem as tochas para iluminar o caminho, simplesmente por não existir a necessidade delas. Várias rachaduras no teto faziam com que luz solar entrasse em grande quantidade e tornasse tudo facilmente visível.

     Mal Florisbelo terminou de subir e assimilar o local onde agora estavam e Rodolfo já havia corrido o mais rápido que podia. Sacou sua espada e gritou como nunca antes, algo que assustou Florisbelo. Desde quando o calmo Rodolfo agia daquela forma?

     - Capeta! – gritou Rodolfo antes de saltar e golpear furiosamente o seu alvo: Um vulto alto coberto apenas por uma capa negra que impedia a visualização de qualquer parte de seu corpo. Apesar disso, era possível ver um par de olhos brilhantes e vermelhos em meio ao local onde deveria estar o rosto dele. Aparentemente desviou do golpe de Rodolfo sem esforço. – Vou te matar antes que você tenha a chance de fazer o mesmo comigo!

     Rodolfo novamente golpeou sem dar qualquer chance para contra-atacar. O outro escapou facilmente para o lado, mas sua capa recebeu um rasgo na lateral. Florisbelo chegou no local da luta, mas sem ousar chegar mais perto.

     - Espera! Eu não sou um Capeta! Eu sou um espírito do vento!

     - Um espírito do mal!

     - Eu sou um espírito do bem, to falando sério!

     - Não acredito em você!

     - Rodolfo, o que aconteceu? Você sempre foi um cara feliz, idiota e amigável! – Ousando chegar mais perto, Florisbelo deu alguns passos para frente e segurou o ombro direito de Rodolfo, sendo logo repelido com um movimento brusco e violento. Em um gesto rápido do rosto, Florisbelo pôde ver a face repleta de fúria de seu amigo. A grande queimadura feita no dia anterior se curava diante de si. Florisbelo arregalou os olhos, abismado. – Qual é o seu problema?

     - Eu simplesmente não confio em ninguém que se pareça com um Capeta!

     - Eu não sou um Capeta cara! Você tem que confiar em mim! – disso o espírito, tentando se defender com palavras.

     - Preste atenção nele, Rodolfo!

     Realmente, parecia que o outro dizia a verdade ao informar que era apenas um espírito. Florisbelo pode notar, agora que havia chegado o mais próximo possível, que ele usava a capa apenas para que os soubessem onde se localizava. Seu corpo era completamente imaterial e invisível. Apesar disso, Rodolfo continuava golpeando com a espada.

     - Precisa conquistar minha confiança!

     - E como faço isso?

     - Não da! Impossível! Eu odeio você, todos os Capetas e todos que se parecem com Capetas! Odeio tanto que tenho vontade de chutar vocês e...

     - Você tem uma garrafa de Coca-Cola ai? – disse Florisbelo, subitamente tendo uma ideia brilhante.

     - Tenho sim, pra falar a verdade. Estava guardando para o meu lanche. – respondeu o Espírito.

     - Ponha ela no chão, por favor.

     - Tudo bem...

     Rodolfo parou ao ver a garrafa transparente cheia do sagrado líquido negro. Seus olhos foram de ódio para amor em poucos segundos de incredulidade. Lágrimas surgiram em seus olhos quando ele se abaixou, segurou a garrafa e começou a girá-la em suas mãos.

     - Coca-Cola! A coisa mais deliciosa do mundo! Não tem como alguém encapetado ter uma coisa tão incrível quanto isso!

     - Confia em mim agora?

     - A Coca é minha?

     - Claro...

     - Certo, agora eu confio completamente em você!

     Sentando no mesmo lugar que havia parado, Rodolfo começou a beber seu refrigerante. Sem entender muita coisa, o espírito decidiu que seria melhor tentar dialogar com a pessoa dentro de um arbusto.

     - Será que vocês poderiam me dar uma pequena ajuda? Eu fui soprado por uma corrente de ar vinda do norte e acabei sendo jogado aqui. Assim que eu entrei fui trancado aqui graças ao monstro que vive próximo à entrada, que achou tudo muito engraçado.

     - Você não pode voar até o teto e passar pelas rachaduras?

     - Eu gostaria de, se possível, manter essa capa. Gosto que as pessoas saibam onde eu estou.

     - Por que você foi jogado pelo vento? Sendo você um espírito elemental, sempre imaginei que tivesse algum controle sobre seu elemento.

     - Sabe, somos vários irmãos lá em casa e... meu irmão mais velho adora soprar-nos para longe... Não podemos fazer nada, já que ele é mais forte...

     - Hum...

     - Presumo que vocês vieram aqui para cuidar do monstro lá em cima, certo?

     - Na verdade só queríamos passar... Mas pelo jeito é o que teremos de fazer. Digo, Rodolfo terá de fazer.

     - O que tem eu? – Rodolfo levantou a cabeça ao escutar seu nome, parando de saborear a Coca. Já estava chegando ao fim do refrigerante.

     - Ele é mais competente do que parece.

     - Eu espero... bom, meu nome é Windo de qualquer forma.

     - Sou Florisbelo, meu amigo se chama Rodolfo.

     - Crazyson! – disse o próprio dono do nome, se levantando e atirando a garrafa para longe. – E sou ótimo lutando contra qualquer um!

     - Espero que seja mesmo. Deve ter notado o quanto este lugar está infestado.

     Rodolfo e Florisbelo olharam para além de Windo pela primeira vez. Realmente, toda aquela ladeira estava coberta por diversas plantas com flores de coloração azul ou vermelho berrante. Alguns cogumelos gigantes surgiam em espaços que as plantas não puderam preencher.

     - Mas... São apenas plantas. – disse Rodolfo, levemente desapontado.

     - Eu reconheço-as! Elas são a escória das plantas, as carnívoras. Tenho certeza de que elas atacarão se chegarmos mais perto. Nem adianta tentar dialogar com aquelas insensíveis.

     - E aqueles cogumelos?

     - Aqueles são um tipo de monstro que se ligou a um fungo. Chamam-se fungus, e irão nos atacar também no momento que chegarmos mais perto.

     - Bom, acho que então terei de sair correndo fatiando tudo. – disse Rodolfo, sorrindo com a expectativa de enfrentar algum monstro, mesmo que extremamente fraco. – Espada Elétrica!

     Com a lâmina de sua arma coberta por descargas elétricas, Rodolfo iniciou seu simples e destrutivo plano. Correndo o mais rápido que podia, começou a fatiar todas as plantas e cogumelos antes mesmo que estes pudessem mostrar suas verdadeiras formas e atacar. Florisbelo vinha logo atrás, seguindo de perto com Windo, aproveitando o vácuo vegetal que o amigo deixava.

     O fim da caverna estava bem mais próximo que o esperado, e eles o alcançariam em pouquíssimos minutos. Florisbelo olhou para adiante, onde a caverna terminaria, e tomou um susto ao perceber o monstro que tampava a saída superior da Monstanha.

     - Rodolfo! A-acho melhor pararmos aqui e voltar!

     - Por quê? Estou indo bem!

     - Por causa do monstro no topo! Olhe para lá!

     - Não, eu prefiro que seja uma surpresa!

     - Rodolfo!

     Sem escutar o amigo, Rodolfo apenas viu o que o aguardava quando colidiu com a sua perna dianteira e caiu sentado no chão, olhando pateticamente para cima.

----------------------------------------

     A Caverna Plantosa costumava ser apenas um local fechado, uma rachadura interna desnecessária dentro da grande Monstanha. Sem saídas, levava simplesmente para lugar nenhum. Os únicos que sabiam de sua existência eram os fungos que conseguiam sobreviver sem a luz proveniente do Sol. Um rio subterrâneo passava solitariamente por baixo da caverna e por boa parte da Monstanha, fato que foi descoberto por humanos exploradores à apenas duas décadas atrás.

     Um local apertado em meio à enormes rochas, imerso em imensa escuridão, úmido e coberto por fungos. Uma atmosfera simplesmente perfeita para o surgimento e adaptação fácil de Trevas. Portanto, foi mais que natural o surgimento de uma quantidade surpreendentemente grande naquela caverna isolada. A expansão rápida provocada pela matéria negra foi o bastante para criar aberturas na rocha, enormes rachaduras no teto que permitiram o ar fresco e a luz solar adentrar.

     O estrago havia sido feito, as trevas haviam se fixado naquela caverna. Ao primeiro raio de luz e ar fresco, um pequeno fragmento de vida começou a surgir. Um pequeno broto de uma planta carnívora nasceu, para a alegria das Trevas, que apenas procurava por uma oportunidade de se fixar em algo e crescer até seu potencial máximo. Recebeu a quantidade massiva de Trevas de uma única vez, crescendo rapidamente até se tornar uma enorme criatura vegetal desfigurada totalmente de sua forma original.

     Passou milênios dominando aquele que se tornou seu território, de forma que não gostou nenhum pouco ao saber da construção de uma cidade humana extremamente próxima ao seu reino. Começou a lançar seus esporos, que germinaram em plantas carnívoras de tamanho anormal e com uma consciência assassina. A primeira parte do plano consistia em simplesmente permitir que suas crias crescessem e se desenvolvessem. Suas raízes profundas naturalmente iam atrás de água para absorver e desenvolver suas necessidades fisiológicas. Dessa forma, o total de água para a cidade humana iria diminuir lentamente.

     Havia sido apenas recentemente que uma pessoa pisara pela primeira vez na Caverna Plantosa. Uma pequena exploração que terminou em uma perna decepada, um aviso alarmante e muita dor de cabeça para um prefeito que não estava nada acostumado com sua nova profissão.

     Não era uma situação com a qual Rodolfo estava acostumado a enfrentar. Observava o monstro que conseguia apenas descrever como sendo um Dragão. É claro que não havia abandonado suas características vegetais, fato que seria impossível. A criatura era inteiramente feita por um tronco coberto de musgo verde, e eram suas raízes que faziam o papel de garras do dragão. As asas eram nada menos do que um local para o armazenamento de bolsões cheios esporos. O monstro havia crescido muito mais para a horizontal do que para vertical por escolha, para se manter com um espaço confortável sem se imprensar com a rocha superior, mas seu corpo não era o de um dragão, e sim de um vegetal. Apenas conseguia mimetizar suas características.

     Fora as anormalidades explicáveis que as Trevas haviam causado no monstro para alterar sua aparência para um corpo mais assombroso e favorável à manipulação possível, de alguma forma ele tinha uma cabeça. O local onde as Trevas comandavam toda a atividade do corpo tinha formato igual à cabeça de um crocodilo, somada com espinhos que saiam da parte de trás e os olhos totalmente brancos e sem pupila. Possuía uma boca enorme até mesmo para aquele corpo colossal, com dentes afiados que saiam pela lateral da boca e uma língua verde que vez ou outra aparecia no lado de fora e saboreava o clima de medo que sentia no ar.

     Só quando ele falou pela primeira vez foi que Rodolfo percebeu que havia ficado muito tempo ali, simplesmente sentado e olhando para cima.

     - Olá.

     - Er... Oi. – disse Rodolfo enquanto se levantava.

     - Há! Esses são os campeões que vieram me derrotar? O melhor que a raça humana tem a oferecer contra mim?

     - Você... Parece bem forte.

     - Pareço? – sua voz soou mais forte que o normal, ecoando nas paredes e fazendo as plantas carnívoras se encolherem um pouco. Um calafrio percorreu o corpo de Rodolfo. – Eu sou um monstro ancestral, o maior e mais poderoso de minha espécie. Nem sequer um batalhão inteiro de seres inferiores como você seria capaz de me subjugar.

     - Acho que você está errado.

     Os olhos do dragão pareceram brilhar levemente.

     - Como disse?

     - Sabe, você é incrivelmente forte. Nunca vi monstro igual, mas... Duvido que seja o mais forte de todos. Pelo que meu mestre me falou, estava esperando algo como um bebê comedor de tempo.

     O monstro rugiu. A caverna inteira tremeu com a súbita liberação de energia que se seguiu. Florisbelo caiu no chão, tremendo e choramingando. Windo foi soprado para longe. Rodolfo fez de tudo para permanecer no lugar, forçando os pés a se fincarem no chão e agarrando a espada embainhada com a mão direita. Até mesmo as plantas de encolheram o máximo que podiam sobre si mesma, se espremendo até ficarem imóveis novamente.

     - Eu sou fruto do destino! Eu fui criado para dominar, para suprimir todos aqueles que se atrevessem a interferir em meus domínios! Eu fui abençoado, meu nível está além de qualquer coisa existente! Sua falta de respeito apenas lhe rendeu uma morte ainda pior!

     Enquanto o dragão continuava a rugir, as rachaduras do teto aumentavam cada vez mais, resultando em pequenas rochas se soltando e caindo sobre toda a caverna. As paredes e o chão também começaram a se desprender e se quebrar.

     - Florisbelo! – gritou Rodolfo – Qual o nível dele!

     - Isso importa?! Vamos morrer, mesmo que tentemos fugir! – Florisbelo chorava de medo. Ainda não conseguira sair do chão, e continuava tremendo sem parar – Eu não sei!

     - Você sabe! Se concentra!

     - Por quê?!

     - Pra saber como eu devo agir! Anda, se concentra!

     No começo a visão turva do garoto combinada com o medo não o permitia sequer fixar o olhar na criatura colossal a sua frente. Fechou os olhos e refletiu por uns instantes, tentando se acalmar. Finalmente, abriu os olhos e pensou por uns instantes, chegando a uma conclusão. Seu medo não havia reduzido, mas um sentimento interno surgia, dando-lhe esperança. O sentimento de que, talvez, Rodolfo pudesse ganhar.

     - Nível 5! Ele é um monstro de Nível 5!

     - Tem certeza?

     - Tenho absoluta.

     Rodolfo sorriu de leve. Florisbelo notou, e sua esperança aumentou um pouco.

     - Tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que pensava que ele fosse de nível 7 ou 8, portanto eu irei lutar. Talvez eu ganhe.

     - ... E a má notícia?

     - O máximo que eu lutei foi contra um de Nível 4. E eu quase morri.

     Florisbelo sentiu suas esperanças sumirem novamente.

----------------------------------------

     Finalmente Rodolfo sacou sua espada, não perdendo tempo em fincá-la na raiz mais próxima possível. O efeito foi o de acontecer nada, mesmo com toda a lâmina entrando completamente na criatura. Surpreso, Rodolfo retirou a arma e observou o ferimento se curar no mesmo instante. Do fundo da garganta colossal do monstro, saiu um pequeno riso de alguém que verdadeiramente se divertia.

     - Como pode ver, não vai adiantar muita coisa.

     - Tsc. – Rodolfo apertou ainda mais o cabo da espada. - Espada Elétrica!

     Abriu o maior rasgo possível na raiz, separando-a em duas partes. Elas apenas se juntaram como antes. Atacou a perna do monstro, e o resultado foi o mesmo.

     - Persistente e irritante, assim como sempre pensei que os humanos seriam.

     Olhou para cima, encarando o dragão por um momento. E então, subitamente, saltou mirando o pescoço da criatura, que rapidamente virou o rosto e soprou, jogando o garoto com força para o solo. O chão de pedra se rachou, e sangue começou a escorrer do nariz do jovem, que provavelmente havia quebrado. O peitoral da nova roupa se amassou com o impacto.

     Rodolfo não se movia. O sorriso do dragão aumentou ainda mais. Essa era a prova final de que precisava. Era a mais poderosa e invencível criatura existente. Como poderia um pequeno ser inferior sequer ousar olhar em sua direção?

     Mas algo não estava certo. O garoto começou a se levantar lentamente. Após terminar de se reerguer, seu olhar foi para cima, em direção a seu oponente. Seu rosto ostentava um sorriso. Como isso seria possível? Coberto do próprio sangue que escorria do nariz, aquele miserável ainda conseguia sorrir? O dragão não conseguia compreender. Estaria aquele moleque tendo um delírio antes da morte?

     - Você acaba de se entregar.

     - Hun?

     - A cabeça é o único lugar que você não me deixou atacar. Você agiu de forma protetora. É o ponto fraco, não?

     Como é que aquele garoto...

     - Há! Pela sua cara, acho que acertei!

     - CALE-SE! – Um pequeno tremor de terra se seguiu, junto com um novo sopro contra o garoto loiro.

     Rodolfo já previa tal movimento. Saltou para trás e, de uma única vez, pulou com toda a energia que tinha para cima. Com um golpe rápido, sua espada cortou a boca do dragão, fechada no momento, de baixo para cima, fazendo-o rugir de ódio e dor. Enquanto o chão tremia, o dragão atirava Rodolfo para cima e abria sua enorme boca.

     Não havia como mudar de rota da forma que estava. Em plena queda livre, Rodolfo não poderia escapar do destino de cair ser abocanhado vivo. Apertou fortemente o cabo da espada e puxou o braço para trás, buscando impulso. Atirou a sua arma para baixo o mais forte que pôde.

     A espada atravessou a língua e a parte inferior da boca, se fincando no chão perfeitamente. O dragão rugiu fortemente enquanto um líquido verde semitransparente saia em jatos de seu ferimento. Rochas enormes começaram a cair do teto e das paredes, esmagando as pobres plantas que apenas eram espectadores daquela batalha.

     - Punho Elétrico!

     Mas não seria assim que o majestoso dragão de planta iria ser derrotado. Conteve sua dor e abriu novamente sua boca para cima, dessa vez com um objetivo ainda mais fatal. Uma esfera flamejante de cor verde foi expelida e atingiu o corpo do pobre rapaz em pleno ar, jogando-o para longe. Ainda em chamas, Rodolfo foi coberto pelas plantas carnívoras que decidiram aproveitar a oportunidade para se alimentar. Rapidamente o garoto ficou impossível de se ver em meio aos vegetais assassinos.

     - Rodolfo! – gritou Florisbelo, finalmente se erguendo ao ponto de ficar sustentando em um dos joelhos. Seu olhar representava todo o choque que sentia pelo que havia acontecido com seu companheiro. Virou o rosto coberto de lágrimas para o monstro que havia matado seu corajoso novo amigo. – Erva Daninha!

     - Vento!

     Diversas pequenas plantas voaram de dentro da moita de Florisbelo, em conjunto com uma corrente de vendo coordenada por Windo, que continuava flutuando próximo ao local da batalha. O dragão apenas sorriu enquanto seus ferimentos na boca começavam a se curar, mesmo que em um ritmo extremamente lento.

     - Suas habilidades patéticas não funcionam comigo.

     - Droga... Windo, você não pode fazer nada melhor que isso?

     - Infelizmente não aqui neste espaço. Em outra ocasião eu poderia ter causado até mesmo um Tornado, me desculpe.

     - Droga, droga, droga! Eu sou um inútil!! Trepadeiras!

     Saindo do chão, várias plantas trepadeiras começaram a escalar o corpo do dragão e a cobrir toda a sua extensão.

     - Obrigado por me dar mais uma camada protetora. Pelo menos você não é totalmente inútil, para uma criatura completamente medíocre e...

     Parou completamente sua fala, sem nem se importar em fechar a boca. Seu olhar revelava surpresa e ódio. Florisbelo e Windo se viraram para então notar o que havia interrompido o poderoso dragão. Uma figura loira se erguia de um monte de plantas em pedaços e brasas verdes, tomando uma jarra de leite.

     Parou na metade, guardando a jarra em um bolso interno da roupa. Sorriu e limpou o leite que havia ficado em seus lábios e sorriu. Sua espada já estava pronta em sua mão direita.

     - Realmente, Leite lolco é uma delícia! E me sinto disposto com alguns goles, assim como o fazendeiro havia dito.

     - O-o que é você?! – pela primeira vez na batalha, o dragão parecia parar de ostentar o sentimento de superioridade.

     - Rodolfo Crazyson. Momento estranho para se apresentar, não? Já que vou lhe derrotar agora.

     De uma única vez, o corpo inteiro de Rodolfo foi coberto por energia elétrica. Sua espada tremeluzia com as faíscas que voavam ao seu redor, e o cabelo do garoto parecia flutuar levemente ao redor da cabeça. Seus olhos passaram de castanhos para quase amarelos.

     - Ro... Rodolfo. – Florisbelo estava em choque novamente. Assim como o dragão que estava prestes a mata-lo, tão pouco entendia quem era Rodolfo. De repente ele não parecia mais tão humano quanto no momento em que ambos haviam se encontrado pela primeira vez. De onde vinha aquela capacidade de continuar lutando? Como ele se curava em determinados momentos de maneira tão rápida e em outros continuava terrivelmente ferido? Como ele fazia aquela energia fluir pelo seu corpo?

     - Eletricidade não vai funcionar com ele, não lembra? – gritou Windo, quebrando um pouco o estado de choque que Florisbelo se encontrava.

     - Não se preocupe, não vou usar eletricidade de forma direta.

     Em um flash, Rodolfo desapareceu do local onde estava em pé. Apenas para reaparecer novamente metros depois, se lançando em direção à enorme cabeça do dragão.

     Chocado, o monstro abriu sua enorme boca e expeliu novamente uma esfera verde flamejante direto em seu pequeno oponente, que sem precisar pensar duas vezes cortou o fogo em dois com um rápido golpe da espada. Nenhum dos presentes sequer havia visto a espada se mover.

     Rodolfo já estava pronto para golpear o grande dragão. Havia chegado naquele ponto em apenas algumas frações de segundo. O monstro tentou reagir novamente, abrindo sua boca e preparando lançar o mais potente ataque até o momento.

     Quando estava prestes a atingir a boca flamejante da criatura das Trevas, Rodolfo girou verticalmente e sua perna desceu no focinho do dragão, bem na parte superior da boca, fechando-a com brutalidade. Rodolfo estava agora na cabeça do monstro. Brandiu a espada, fazendo um largo e profundo ferimento na testa do oponente.

     O dragão rugiu e sacudiu a cabeça com todas as forças para se livrar do garoto. Nem mesmo Rodolfo entendeu o motivo de ter continuado em pé sem ser abalado pelo movimento embaixo de si. Olhou para suas pernas, e percebeu pequenas plantas trepadeiras o segurando com força. Rodolfo sorriu, e golpeou o monstro novamente. O final do segundo golpe coincidiu perfeitamente com o final do primeiro.

     - Corte V!

     Para finalizar, ergueu sua espada o máximo que pode e a fincou, no centro do V que havia “desenhado” com seus golpes anteriores no meio da testa do dragão, que subitamente parou os rugidos e as fortes sacudidas. A cabeça começou a escurecer a partir do ponto onde havia recebido os últimos golpes, e essa escuridão foi passando rapidamente para todo o restante do corpo. Finalmente, após aquela escuridão preencher o corpo inteiro, o dragão desapareceu por completo, fazendo Rodolfo cair no chão seis metros abaixo. As Trevas voltaram para o local de onde vieram, deixando apenas um pequeno broto de planta carnívora que começava receber com alívio a luz do Sol, como se nada tivesse jamais acontecido ali.


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Última edição por Eusine48 em Seg 30 Dez - 13:33, editado 1 vez(es)
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Mr.Galleom
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Dom 29 Dez - 23:58

Hm... A falta de espaço nos inícios dos parágrafos prejudica um pouco a legibilidade (não sei o nome do troço?), sem contar que eu acho que você poderia ter feito uso de mais "duplo-enter" entre parágrafos, mas vamos lá.

É esquisito o velho estranhar o silêncio dos dois, isso quer dizer que ele não sabe que está ficando surdo, mas neste caso, como ele ouviu o não-galinha conversando com ele?

Ah sim, eles ficaram durante a noite na casa do Doutor? Parece um evento implicado no último episódio, mas não li isso no último ep...

O cara encapuzado do lado(é o mesmo cara, não é?) do rodolfo é bem secreto nos planos dele >_> pelo menos (?) o Pref-Sub não foi digno o bastante.

De qualquer forma parece importante plantas pensarem em glicogenólise. (fala random!)

É estranho que o poder do florisberto funcione numa caverna, mas ele entrar em pânico foi bem engraçado!

E no geral, a batalha foi bem interessante!

Ah, e alguns erros de digitamentação(lol):

Citação :
Em frente a eles, duras mulheres fofocavam[...]
Citação :
(“Obvio que aqueles garotos vão simplesmente morrer!”)
Citação :
- Eu sou um espírito do bem, to falando sério!
essa daqui^ foi pras falas aleatórias
Citação :
Decidiram chama-lo simplesmente de Doutor

E, hã... "o centro do V" é o ponto mais baixo dele ou é mesmo no meio dele? Porque é um pouco estranho atingir o meio dele, já que ele não cortou ali antes

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Eusine48
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Seg 30 Dez - 8:52

Yeah, alguém lembrou de comentar! Normalmente eu esperaria até postar o próximo cap (provavelmente amanhã f6) para responder, mas é tanta coisa que provavelmente atrapalharia a leitura... Eu acho.

Mr.Galleom escreveu:
Hm... A falta de espaço nos inícios dos parágrafos prejudica um pouco a legibilidade (não sei o nome do troço?), sem contar que eu acho que você poderia ter feito uso de mais "duplo-enter" entre parágrafos, mas vamos lá.

Realmente, eu sei q a falta de espaço no início dos parágrafos é chata, mas eu coloco o espaço. O forum é que tira ele... Quanto ao "duplo-enter", eu estou usando ele para diferenciar uma cena da outra... Mas vejo que é realmente chato ler vários parágrafos colados uns nos outros, então vou mudar isso. Aliás, vou editar os caps antigos dessa forma também.

Mr.Galleom escreveu:
É esquisito o velho estranhar o silêncio dos dois, isso quer dizer que ele não sabe que está ficando surdo, mas neste caso, como ele ouviu o não-galinha conversando com ele?

Er... É que o cérebro dele simplesmente ignorou os comentários que eram perguntas sobre o nome dele, fazendo-o pensar que ninguém falava nada. Vai entender.

Mr.Galleom escreveu:
Ah sim, eles ficaram durante a noite na casa do Doutor? Parece um evento implicado no último episódio, mas não li isso no último ep...

Não leu? Ficou bem explícito isso! É uma das últimas falas do capítulo!

Vida de Mons (Parte 1) escreveu:
- Precisam passar pela prefeitura, onde há uma passagem secreta para uma caverna que leva até o topo. E, para isso, vão precisar da autorização do prefeito.
- Que saco... Bom, acho melhor irmos lá agora mesmo.
- Já está tarde, o prefeito não irá receber mais visitas a essa hora. Fique e durma aqui, amanhã cedo você vai para a prefeitura.
- Obrigado, cara estranho que vende poções!

Vida de Mons (Parte 1) escreveu:
O cara encapuzado do lado(é o mesmo cara, não é?) do rodolfo é bem secreto nos planos dele >_> pelo menos (?) o Pref-Sub não foi digno o bastante.

Ah, acho que não ficou claro, mas... O prefeito não morreu afogado ali, ele não é tão burro assim. Mas o encapuzado perdeu a vontade de fazer qualquer coisa com o coitado depois de ver aquela cena ridícula.

Mr.Galleom escreveu:
E, hã... "o centro do V" é o ponto mais baixo dele ou é mesmo no meio dele? Porque é um pouco estranho atingir o meio dele, já que ele não cortou ali antes

É realmente no meio. Parece estranho? Estranho. Waa? 

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Firealex
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Sab 4 Jan - 12:59

É, o episódio está ficando bem mais sério...

Não costumo gostar de ler do seu novo estilo de escrita, lembra bastante dos livros de gramática muito chatos na minha escola e faculdade, mas concordo que está ficando bem mais sério que o jogo de comédia.

Rodolfo, Rodolfo... Parece que ele aceita a amizade de qualquer um se derem ele uma Coca-Cola, isso é um motivo fraco de criar uma amizade e pode causar problemas depois. Mas isso aconteceu no jogo normal, então não posso reclamar muito.

O dragão parece bem difícil mesmo, mas as ervas daninhas e os status em gerais não costumam funcionar direito contra os chefões, então o Florisbelo nem precisava preocupar com isso...

Estou ficando interessado para ver como isso vai acabar, será que vai ser diferente da doença de lol? (Droga, acho que estou ficando infectado...)

EDIT: O que achou do meu novo Siggy?

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Eusine48
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Qua 8 Jan - 16:39

Yeah! Update Time!

Bem atrasado! Por causa de alguns acidentes imprevistos (e alguns previstos) vocês talvez tenham notado que eu falhei muito em seguir meus prazos. Juro que eu tentei fazer um update por semana... Não deu pra terminar até o fim de 2013 por que ampliei a quantidade de capítulos.

Vou tentar por prazos mais uma vez! YEAH!!!
Antes de minhas aulas começarem (dia 17 de Fevereiro) quero realmente Terminar essa Fic, fazer 1 update do Crossover e 2 no Show do Gaara. No mínimo. Não sei como vão estar as coisas na faculdade, mas creio que meu tempo vai ficar mais reduzido...

Firealex escreveu:
Não costumo gostar de ler do seu novo estilo de escrita, lembra bastante dos livros de gramática muito chatos na minha escola e faculdade, mas concordo que está ficando bem mais sério que o jogo de comédia.

É... feliz ou infelizmente, o que estou fazendo é realmente deixar as coisas mais difíceis, mais profissionais, por assim dizer. Pode ficar mais "gramaticalmente chato", mas vai tornar as descrições e narrativas melhores em minhas histórias, além de sentenças mais bem feitas como bônus.

Firealex escreveu:
EDIT: O que achou do meu novo Siggy?

Si-sinistro...

Capítulo 5 - Semi-Explicações de uma Semi-Imortalidade

     Vários minutos (e curativos) depois, o grupo de Rodolfo finalmente saia da caverna plantosa. Para o estranhamento de Florisbelo, os ferimentos do amigo se comportavam naturalmente ao invés de ficarem inadvertidamente se curando de forma automática.

     Sentindo-se estranho por causa das ervas medicinais por todo o seu corpo e ligeiramente desconfortável com as faixas que as cobriam, o jovem loiro mal podia reclamar de tão fraco que estava. Teve de se apoiar em Florisbelo para sair da caverna e mal teve energia para erguer o braço esquerdo na frente dos olhos para tampar a forte luz do sol que os dava as boas vindas à liberdade. Podia ter sido apenas alguns breves momentos em que havia ficado cercado por rocha, mas haviam sido momentos que nenhum sabia se sairia vivo dali, então não era a toa que o trio caminhava lado a lado com um sorriso enquanto apreciava o vento quente em seus rostos. Certo, Windo não caminhava, flutuava, e não tinha boca para sorrir. Mesmo assim compartilhava daquele sentimento.

     - Pessoal, eu agradeço muito a ajuda, de verdade. – disse Windo, sem demora.

     - Você já vai se separar de nós? – respondeu Florisbelo, expressando seus sentimentos e do amigo, que mal podia se mexer.

     - Não se preocupem, nunca irei abandonar vocês de verdade enquanto sentir que ainda tenho uma dívida de vida com os dois. Claro, eu não poderia ter morrido lá, mas essa capa é muito especial para mim, portanto agirei como se realmente tivesse uma dívida de vida com vocês.

     Essa foi a breve despedida de Windo, que foi subindo cada vez mais até desaparecer no meio das nuvens, que estavam bem mais perto do que no dia anterior. O próprio cume da montanha estava incrivelmente próximo a eles. Por um momento Florisbelo ficou apenas ali, parado e sorrindo enquanto o vento soprava em sua face. O topo estava quase ali, e lá deveria estar o tal de Senhor da Monstanha.

     Um movimento ao seu lado o fez parar de ficar parado e se virar para Rodolfo, que o havia empurrado de leve indicando que queria andar. Apenas então Florisbelo notou que havia um caminho de cascalho que levava até o topo.

     Devagar, mas progressivamente, Florisbelo ia arrastando o amigo pela pequena estrada. Passado cerca de cinco minutos, o garoto percebeu que o ritmo deles estava ficando mais rápido. Parecia que Rodolfo já estava começando a se recuperar.

     - Não precisa se esforçar tanto, Rodolfo.

     - Eu... já me sinto melhor... E você anda muito devagar...

     - Se eu fosse mais rápido estaria te arrastando. E não tenha pressa, o pior já passou.

     - Passou...? Eu pensando... que haveria ainda inimigos mais fortes...

     - Você quase morreu lá, e ainda pensa em lutar mais ainda? Se não fosse aquela sua recuperação estranha no meio da luta, não sei se teríamos sobrevivido.

     - Leite Lolco... Recupera as energias... de forma deliciosa e... ainda tenho meio litro...

     - Por que não bebe agora?

     - Já estou curando... Melhor guardar pra próxima...

     - Já disse que não vai haver próxima vez. O Senhor da Monstanha vai nos dizer a cura pra doença e vamos poder voltar para nossas devidas casas.

     - Chaaaato... Vou guardar mesmo assim, pra algum dia...

     - Você realmente gosta dessas lutas, não é mesmo?

     - A animação da batalha é irresistível... E estou feliz por ter derrotado aquele feioso de Nível 5...

     - Ele não era tão bom assim, na verdade.

     - O que?!

     Rodolfo parou e fez força para encarar seu amigo.

     - Você ficou tremendo o tempo inteiro e sabe que quase morremos lá! – falou o jovem loiro, incrédulo.

     - Acalme-se. Eu sei, eu sei, mas... Pensando agora com calma, vejo que aquele monstro lá não tinha muita experiência, sabe? Ele se exibiu demais e isso o impediu de lutar com todas as forças, já que ele só fazia ficar falando como tudo nele era superior e mostrando habilidades sem pensar. E pelo que ele disse, era a primeira vez que via humanos, ou seja, devia ser a primeira luta da vida dele.

     - ...

     - Quer continuar a andar agora?

     - Sim, mas me deixe ir sozinho.

     - Você consegue?

     - Claro que sim.

     Florisbelo soltou o amigo, que caiu de joelhos no chão. Tentou ajudar, mas sua mão simplesmente foi afastada para longe. Lenta e dolorosamente, Rodolfo se levantou sem ajuda e começou a mancar pelo caminho.

     - Já me sinto melhor...

     - Não parece.

     - Bom, não é muito melhor, sabe? Mas é bem melhor do que nada...

     - Enquanto não chegamos, você poderia me dar algumas explicações básicas?

     - Hãn? Sobre o quê?

     - Como aprendeu a lutar? E a usar aqueles golpes elétricos?

     - Você adora perguntar coisas para mim, e só fazem dois dias que nos conhecemos.

     - Quase três. Mas enfim, você vai responder que não sabe, como na maioria das vezes?

     - Mais ou menos. Eu sei que eu prendi a lutar com um ex-explorador que mora lá na vila, o Sensei. Mas pelo que eu me lembre eu sempre tive essa capacidade de usar eletricidade. Mas eu não controlava bem e ninguém entendia de onde vinham meus poderes. Na verdade ninguém sabe até hoje. Sensei ajudou a aprender a controlar.

     - E aquilo que você fez no final? Quando ficou coberto de raios e ficou bem mais forte e rápido. O que era aquilo?

     - Apenas o meu poder elétrico ampliado para todo o corpo de uma só vez. Exige muito dos meus músculos, por isso meu corpo inteiro fica rígido depois que o efeito passa.

     - Percebi. Mas pelo menos você já recuperou o fôlego e está andando mais rápido que antes.

     - Eu falei que o efeito não ia durar muito.

     - Na verdade não falou.

     - Claro que falei! Me lembro muito bem!

     - Desculpe Rodolfo, mas não falou. E tenho certeza de que, dentre nós dois, eu sou o que tem a melhor memória.

     - Estranho, porque eu tenho certeza de que falei. Quando disse que não iria tomar o Leite Lolco agora e tal.

     - Não disse. Lembre-se bem, depois daquela frase...

     A discussão durou o resto daquela pequena caminhada.

----------------------------------------

     A casa do Senhor da Monstanha era bem menor do que ambos esperavam. Era de madeira e visto de fora dava para perceber que apenas deveria ter um cômodo. Mas era a única casa do lugar, então não podiam ter dúvidas com relação a isso. O caminho de cascalho continuava e seguia até umas tábuas de madeira postas na beira de um enorme precipício.

     Os dois jovens pararam bem na porta, pensando no que aconteceria depois dela ser aberta. Uma estranha atmosfera cercava o lugar. Ambos se sentiam pressionados como se uma mão enorme os tivesse empurrando constantemente para baixo de uma forma que eles conseguiam suportar e, ao mesmo tempo, retirava todas as forças do corpo, impedindo qualquer outra ação.

     Começou a ficar sufocante ali. Após perderem a capacidade de mexer o corpo bem no momento anterior à batida na porta já havia passado mais de meia hora. Os pulmões começaram a falhar e a mão invisível que parecia os empurrar para baixo estava ainda mais forte, fazendo os joelhos deles começaram a tremer. Com a situação crítica, apenas a mente continuava a funcionar, tentando de qualquer forma fazer o corpo agir. Não que adiantasse de alguma forma.

     O desespero começou a tomar conta enquanto Rodolfo e Florisbelo tentavam ao máximo movimentar seus corpos. A respiração estava incrivelmente difícil e ambos estavam prestes a desmaiar. Florisbelo caiu de joelhos no chão, enquanto Rodolfo começava a conseguir movimentar a mão direita em direção da porta.

     - Vamos lá, Rodolfo! Sei que você consegue! Vamos! Vamos!

     Faltavam poucos milímetros para conseguir finalmente bater na porta quando perdeu todas as forças e sua mão voltou à posição original, colada ao corpo. Decepcionado, Rodolfo soube que não teria forças para tentar aquilo novamente.

     E então a porta da cabana abriu com um gesto rápido e inesperado. Um velho de cabelos brancos, roupa e faixa na cabeça vermelhas e uma longa capa desbotada e desgastada pelo tempo surgiu na frente deles, assustado ao perceber que tinha visitas. A visualização daquela pessoa conhecida foi o choque necessário para quebrar o que quer que fosse que estava os afetando.

     Principalmente em Rodolfo.

     - É O SENHOR!!

     - Hum... Sabia que essa sensação era familiar... – disse Florisbelo, se levantando cuidadosamente.

     - Por que não bateram na porta? – falou o velho, com cara de que não estava entendendo nada.

     - Porque o senhor fica usando essa habilidade pra deixar as pessoas paralisadas! Quase morremos aqui sem conseguir nos mexer!

     - Do que está... ah, entendo. Desculpe se meu poder é muito grande, mas é que me sinto mais livre se ele estiver fluindo de maneira que desejar.

     - Espera, está dizendo que a parada quase total de nosso corpo foi devido apenas à expansão de sua energia espiritual? – disse Florisbelo

    - Palavras difíceis... Faz anos que não escuto palavras difíceis... Precisatamente, meu caro.

     - Não seria precisamente?

     - Foi o que eu disse.

     - Não, na verdade foi-

     - Não comece de novo, Florisbelo. Ele falou certo. – disse Rodolfo, se intrometendo.

     - Mas...

     - Nós ganhamos por ser a maioria. Seu anti-democracia! – falou o senhor

     - Eu tenho certeza que...

     - E respeite os mais velhos! Ele disse que falou certo, então ele falou!

     - Exatamente! Tenho trezentos e setenta e cinco anos de experiência nesse mundo, sei usar palavras grandes também.

     - É, ele tem... Trezentos e setenta e cinco?!

     - Você... tem certeza? – falou Florisbelo

     - Pode parecer estranho para vocês, jovens aleatórios, mas eu sou um Semi-Imortal. Sim, em parte é por causa disso que sou tão, hum... Espiritualmente forte. Meu nome é Mons, aliás. A Grande Monstanha tem esse nome por minha causa, se não notaram.

     - Um Semi-Imortal... – disse Florisbelo, pensando se acreditava realmente naquilo ou não.

     - Isso quer dizer que... – os olhos de Rodolfo começaram a brilhar - Você é incrível, senhor Mons! Além de ter a cura pra Doença de LOL, é um Semi-Imortal forte pra caramba!

     - Ora, ora, não sou tão forte assim!

     - O mais forte que já conheci foi o Sensei, e ele também me fazia sentir um pouco estranho quando usava os poderes dele. Mas não são nada comparados aos do senhor!

     - Conhece o Sensei?

     - Sim, ele foi meu professor por muitos anos!

     - Ele é meu filho, sabia?

     - Noooooooossa! Sério?!

     - Claro que é sério! E eu que ensinei quase tudo que ele sabe.

     - O senhor não quer me ensinar também, senhor Mons? Com certeza posso ficar mais forte treinando aqui com o senhor!

     - Claro que sim, meu caro...

     - Rodolfo Crazyson!

     - E eu sou Florisbelo Margarido. – disse o parceiro de Rodolfo. Nenhum dos dois sequer escutou aquela frase.

     - Rodolfo Crazyson! Muito bem, serei seu mestre! Sabe, Rodolfo, você me lembra muito de mim mesmo quando eu era jovem. Para falar a verdade, tenho a sensação de já ter te visto antes.

     - O senhor falou conosco ontem. Nos deu até uma bombinha de São João para que entrássemos na caverna explodindo aquelas pedras.

     - Ah, eram vocês! Me desculpe, minha memória não é mais a mesma depois de tantos séculos. E vocês subiram toda a Monstanha só para virem aqui falar comigo?

     - Sim! Viemos pegar a cura da Doença de LOL com o senhor.

     - E quem disse que eu tenho a cura para essa doença?

     - Um vendedor de poções na cidade da Monstanha.

     - Tem uma cidade na Monstanha? – disse Mons, ligeiramente atordoado com a notícia - E não acredite no que os outros falam de mim, existem muitas lendas a meu respeito. Mas creio que você não precise se preocupar com a cura da doença. Sabe, sou meio vidente e tenho certeza de que você irá encontrar a cura em breve.

     - Como? – perguntou Florisbelo. Foi novamente ignorado por completo.

     - Como? – perguntou Rodolfo.

     - Parabéns por ser um jovem tão curioso, Rodolfo, eu aprecio muito isso. Venha comigo que lhe mostrarei o caminho.

----------------------------------------

     Em poucos minutos chegaram na borda do enorme precipício, tendo uma vista do que seria o lado oposto ao qual eles subiram.

     O lado Leste da ilha não era muito diferente do Oeste. Outras montanhas menores cercavam a Monstanha, altas vistas de baixo e pequenas vistas de cima. Alguns bosques abertos se espalhavam pelo território da Ilha em geral, mas parecia que haviam conseguido de agrupar de alguma forma no extremo Leste da ilha, em uma pequena mata fechada.

     - Por que nos trouxe aqui, senhor Mons? – perguntou Rodolfo, com curiosidade.

     - Para que você possa ver o caminho que deve seguir para prosseguir com sua jornada. – respondeu calmamente Mons, como se pensasse na possibilidade dele próprio sair em uma aventura.

     - Seria legal se você falasse essas coisas no plural. – falou Florisbelo. – Também estou na mesma jornada. – Ninguém deu a mínima.

     - Para onde vamos, exatamente?

     - Para a cidade Raimunda, que fica na encosta desse lado da Monstanha.

     - Acho que estou vendo...

     - Já tá ficando meio tarde, e a cidade está passando por um problema único. Espere amanhecer, assim você poderá recuperar energia e descansar.

     - Mas como vamos descer, senhor?

     - Deixe-me ajuda-lo com isso, tenho um método bem rápido e eficaz.

     Mons simplesmente empurrou ambos pela borda do penhasco.

     - Volte para treinar depois de achar a cura!

     - Sim, senhor!

     - E como ele espera que você volte para lá?! – falou Florisbelo

     - Florisbelo! Onde você esteve esse tempo todo?

     - Do seu lado! Nem acredito que o Mons se lembrou de me empurrar junto!

     - Ele é muito maneiro, não é?

     - Não! Ele nos matou!

     - Não seja bobo, o senhor Mons nunca faria isso conosco! Ele sabe que vamos sobreviver a essa quedinha.

     O chão continuava a se aproximar.

     - Não tem como, Rodolfo!

     - Acalme-se, já estamos até desacelerando.

     - Loucura! Claro que não estamos desacelerando!

     - Preste mais atenção!

     Florisbelo prestou mais atenção. Realmente, estavam caindo cada vez mais devagar. Logo estavam no chão, na encosta da Monstanha, e sem nenhum arranhão proveniente da descida.

     - Mas... o que aconteceu?

     - Eu ajudei vocês, como disse que faria. – a voz de Windo soou alta, como se viesse de todos os lados de uma vez. Ele não era visível em lugar algum.

     - Windo!

     - Acho que ainda tenho um pouco de dívida com vocês, então ainda não vou abandoná-los por completo. Qualquer coisa, me chamem! Estou em todos os lugares.

     - Pode deixar.

     - E o que aconteceu com Rodolfo? Ele pegou no sono assim que tocou no chão.

     Florisbelo se virou e percebeu que o espírito tinha razão. Rodolfo dormia pesadamente, jogado de costas no chão com braços e pernas abertos. Pelo visto, descansava como Mons havia o mandado fazer.

     - O que aconteceu? Bom, ele tá apenas seguindo ordens de um velho misterioso e possivelmente louco que conhecemos recentemente.

     - Ah...

     - Não é a coisa mais estranha que já vi ele fazer.


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MensagemAssunto: Capítulo 6 – O ataque das Delícias   Qui 6 Fev - 9:41

Forçado a double postar! Isso é triste... mas ok. Eu disse que terminaria essa fic e é o que vou fazer! /f5Certeza de que isso vai me ajudar em elaborar história para Dlol 2, e é isso que importa!

Dessa vez apresentando um pouco mais de caracterização para Florisbelo e Feitinilda, dois personagens que eram muito importantes no jogo original mas que não tinham nenhuma característica memorável...

Florisbelo era o cara inteligente e fala com plantas, mas nenhuma dessas coisas foi explorada como deveria (ele nem conversa com nenhum vegetal!).

Feitinilda era mais inteligente que Rodolfo e gostava de tudo que ele falava, agindo sempre de forma feliz como um estereótipo ambulante de “garotinha meiga e feliz”. Ela foi a personagem que mais mudou, e isso vai ser apresentado principalmente aqui e no próximo capítulo.

Como diminui a participação do Windo (que já era ridicularmente insignificante) ele vai continuar pouco caracterizado. Sabemos tanto sobre ele quanto os personagens sabem...

Capítulo 6 – O ataque das Delícias

     Ao nascer do sol Rodolfo se levantou com um salto.  Estava feliz e realmente animado para seguir as ordens do velho e estranho Mons, o ancião da grande Monstanha. Fez uma fogueira e saiu de perto enquanto ela começava a se encandecer Voltou poucos minutos depois arrastando um porco com uma das mãos e girava uma galinha com a outra, segurando-a pelas patas. A mochila aberta em suas costas estava cheia de pão, tanto que um ou dois caíram no caminho de volta para o pequeno acampamento do garoto.

     Em alguns minutos o cheiro de carne queimada enchia o ar, e Florisbelo não tardou de acordar farejando o ar. Encontrou o olhar satisfeito de Rodolfo, que sorriu.

     - Finalmente acordou! – disse Rodolfo – Se tivesse um inimigo por perto você já estaria acabado, sabia?

     - Existe perigo de sermos atacados por aqui?

     - Pra falar a verdade eu duvido. Não temos muitos criminosos aqui na Ilha e pelo que vi aqui não é um lugar com muitos monstros.

     - Então por que você quer assustar um pobre broto dizendo que eu poderia já estar morto?

     - Eu só estava comentando algo!

     Repentinamente, Florisbelo riu.

     - Só estou brincando, Rodolfo. Ei, o que é isso ai que você está assando?

     - Nosso café da manhã! Trouxe pão, então podemos fazer sanduiches. Aliás, acho que a carne vai sobrar para mais duas refeições hoje.

     - Desculpe, mas eu não como carne, Rodolfo.

     - O quê?! Que tipo de pessoa você é?!

     - Árvore, esqueceu? Só preciso beber água, absorver nutrientes do solo e aproveitar a luz solar.

     - Sério isso?

     - É claro que é sério! Já me viu comendo algum dia?

     - Sim! Digo, não... Espera, sim! Na casa daquele cientista estranho na Monstanha!

     - Mas não é nada do que você está pensando. Ele me serviu um prato de adubo.

     - Não brinca! Isso quer dizer que você comeu... Ah, dane-se! Mais comida para mim!

     - E de onde foi que você pegou esses animais e o pão?

     - De um lugar bem perto daqui pra falar a verdade. Seguindo a encosta da montanha encontrei um lugar cheio de animais, estranhamente cercado por várias madeiras, que pareciam formar um tipo de muro pequeno... O pão tava numa construção de pedra retangular que, eu acho, tinha algum ser morando lá. De qualquer forma, o pão estava num suporte de madeira quadrado no meio de uma das paredes de pedra. Sai correndo quando ouvi um barulho estranho lá de dentro. Parecia até humano...

     - Rodolfo, você acabou de descrever uma fazenda.

     - Ah... Acho que na volta pra casa é bom passar lá e pedir desculpas...

----------------------------------------

     Não demorou muito para chegar à cidade que Mons havia apontado no dia anterior. Vista de cima ela parecia colada no lado oriental da Monstanha, mas não era exatamente assim. Tiveram que caminhar por alguns minutos e depois cruzar uma ponte de madeira que passava por cima de um pequeno rio. Mesmo se o caminho não fosse uma linha reta, uma fumaça escura saia do local para onde eles se dirigiam

     - Cidade Raimunda... – Rodolfo leu em voz alta sem motivo específico uma placa localizada exatamente depois de cruzarem a ponte de madeira. – Parece que alguém lá está fazendo um baita churrasco.

     Continuaram por cinco minutos até chegarem à cidade. No total, gastaram apenas meia hora desde que saíram do acampamento para chegarem lá. A cidade era bem maior do que as cidades que Rodolfo havia visitado (o que consistia apenas de três), e isso não era nem longe grande coisa. A quantidade de casas e a população não seria o bastante nem pra ser considerada uma cidade em países maiores e mais desenvolvidos. Era cercada por muros de madeira que serviam mais para dar um ar interessante a cidade do que dar alguma proteção real.

     Surpreenderam-se com a visão que tiveram da cidade ao cruzarem o arco de madeira que delimitava a entrada da cidade. Tudo estava em chamas. Árvores se incendiavam em todos os jardins e pessoas corriam de dentro de suas casas tossindo por causa da fumaça negra que saia junto com as chamas que destruíam suas residências. Algumas pessoas jaziam jogadas no chão, desmaiadas na melhor das hipóteses.

     - Mas o que aconteceu aqui?! – gritou Florisbelo, apavorado.

     Um som estranho se ouviu de uma rua próxima a entrava e, virando uma esquina, surgiu uma criatura enorme e em formato de um circulo. Era marrom com manchas rosas e sua pele parecia estranhamente macia. Possuía um buraco exatamente no centro de seu corpo, de onde saltavam dentes afiados da parte superior e inferior da criatura. Só se podia definir onde era em cima e onde era embaixo graças a olhos completamente brancos que o ser tinha. Olhos que encaravam Rodolfo e Florisbelo enquanto o monstro rodava em direção deles.

     - É disso que o senhor Mons estrava falando! Ele falou para descansar e depois ajudar com o problema que essa cidade estava passando, mas não esperava que fosse um monstro feioso como esse.

     Sem aviso, Rodolfo sacou sua espada e pulou no monstro. O golpe atingiu com sucesso e o garoto sorriu confiante. Retirou a lâmina da pele da criatura e estava em meio a um giro para dar seu próximo golpe quando notou algo estranho.

     Seu ataque não havia dado dano algum. Olhou para cima e viu os olhos malignos se estreitando enquanto uma chama minúscula surgia do buraco no centro daquele ser estranho e começava a aumentar repentinamente.

     Saltou para trás o mais rapidamente que pôde, desviando parcialmente de uma grande bola de fogo, que ainda conseguiu queimar sua perna esquerda.

     - Estranho... – disse Rodolfo, parado após o salto.

     - Rodolfo! O que houve?

     - Olha pra esse bicho, para o formato dele, para as cores... Eu cheguei perto e identifiquei o cheiro, isso ai é apenas uma rosquinha com cobertura de morango.

     - Você não pode estar falando sério...

     - Mas estou! E pior que ela é bem borrachuda, meu golpe não deu certo. Se eu estivesse com fome a situação seria outra.

     - Não me diga que você queria comer esse monstro?

     - Bom...

     Uma bola de fogo explode ao lado de Rodolfo.

     - Uia, nem tava prestando atenção. Ainda bem que ele é meio cegueta.

     - Não tem como você derrotar esse monstro e ele é perigoso! Vamos fugir!

     Florisbelo segurou o braço de Rodolfo com firmeza e o puxou por uma pequena rua secundária.

     - Feioso, nem me deixou tentar lutar direito!

----------------------------------------

     Vários minutos depois, Rodolfo e Florisbelo invadiam uma casa e fechavam a porta atrás deles o mais rápido possível, não se esquecendo de trancar as várias fechaduras que ela tinha.

     Haviam se enganado ao pensar que só havia um monstro rosquinha pela cidade. Vários seres enormes e de sabores diferentes rondavam cada parte da cidade pela qual os dois amigos passaram, queimando tudo que se movia, perseguindo os cidadãos ou até mesmo tomando um banho rápido no rio que cortava a cidade.

     Encontraram o Macumba’s Place local sem pegar fogo e tentaram entrar, mas as portas e janelas estavam fortemente trancadas. Continuaram andando e, próximo dali, encontraram uma casa que também não estava em chamas. Escutaram uma rosquinha se aproximando e correram para dentro.

     - O que fazem aqui?

     Sentada à uma mesa, uma garota se levantou e olhou para os dois invasores com um ar intimidador. Usava um vestido roxo, luvas vermelhas, bota preta de cano alto e um chapéu pontudo preto com um lacinho roxo claro. Seu cabelo comprido era completamente branco e seus olhos tinham uma coloração lilás.

     - O que fazem aqui?

     - Viemos procurar ajuda de macumbeiras. – disse Florisbelo, se adiantando ao amigo – Parece que acabamos de encontrar uma.

     - E por que diz isso?

     - Fácil, sua casa não está pegando fogo.

     - Ah, é verdade. – disse a garota, coçando o queixo.

     - Como sua casa não pega fogo? – falou Rodolfo, com curiosidade.

     - Com um feitiço bem fácil, na verdade.

     - Uau, você consegue até mesmo fazer feitiços além das macumbas!

     A garota ficou vermelha e desviou o olhar.

     - Na verdade, são exatamente a mesma coisa. Mas não tenho ideia do motivo pelo qual as pessoas que não estejam associadas a nós não saibam disso. Quero dizer, nós falamos isso o tempo inteiro!

     - Falam?

     - Claro que sim! As feiticeiras em geral detestam ser chamadas de macumbeiras! Eu não reclamo muito porque... bem, antes eu também achava que era a mesma coisa. Mas digam logo, o que fazem aqui?

     - Estamos fugindo das rosquinhas gigantes. – disse Florisbelo, retomando a conversa para si.

     - Ah... Sobre isso... Meio que foi por minha culpa.

     Ela desviou novamente o olhar, se concentrando em seus próprios pés. Foi apenas por um segundo, logo após ela levantou a cabeça ativando imediatamente um olhar de desinteresse total.

     - Eu uso meu cajado mágico para deixar as rosquinhas mais gostosas, mas errei dessa vez. E... ta legal, admito que os dois feitiços nem se quer são parecidos. Foi mal, ok?

     - Tudo bem, acho que todos erram as vezes. – disse Rodolfo – Eu, por exemplo, erro o tempo todo!

     Ela voltou a ficar vermelha e desviar o olhar.

     - Mas como vencemos essas rosquinhas assassinas? Tentei atacar com minha espada, mas não deu nenhum pouco certo.

     - Tentando bancar o herói, hãn? – sorriu ao levantar o olhar para Rodolfo, ainda com o rosto ligeiramente rosado. – Se é assim, sei uma poção que pode ajudar nisso. Só preciso de dois ingredientes que não tenho aqui.

     - Diga o que é e onde encontrar que nós vamos lá. – falou Florisbelo.

     - Eu já ia fazer isso, plantinha. – falou olhando com o canto do olho especificamente para Florisbelo. Olhou para Rodolfo ao dizer as próximas palavras. – Só preciso de um cogumelo vermelho com pontos brancos, que cresce no bosque próximo da cidade, e uma barra de chocolate. De preferência um chocolate bem gostoso. Tem um cara meio estranho que mora na floresta, acho que ele daria uma barra de chocolate sem problemas.

     - Como sabe que ele vai ter uma barra de chocolate, dona? – falou Florisbelo.

     - Você é chato e pergunta demais. Não gostei de você. Ele é meu amigo e eu o conheço, simplesmente isso.

     - Não irrite ela, Florisbelo! – a garota ficou vermelha novamente. - Vamos logo, quanto mais rápido formos mais rápido achamos o que precisamos.

     - Espera, mas como vamos sair daqui com essas rosquinhas cuspidoras de fogo por toda a parte?

     A garota se irritou novamente.

     - Se você não tem colhões para passar por alguns monstros feitos de massa com cobertura doce, talvez você devesse voltar para sua casinha, plantinhasinha... Mas entendo que seu amigo deva estar com pressa, afinal ele é um herói corajoso.

     - Obrigado! Você é bem gentil, para uma macumbeira. Quero dizer, todo mundo diz que vocês são das trevas e tal, mas não entendo o motivo.

     Mais uma vez, a jovem em sua frente ficou com o rosto vermelho por causa do garoto loiro em sua moradia.

     - Qual o seu nome?

     - Rodolfo Crazyson.

     - Sou Feitinilda... Meu sobrenome não é importante. Vocês podem ir para a parte de trás da minha casa, onde tem uma escada. Subam no telhado que de lá dá para pular no muro de madeira e então pular para fora da cidade. Vão estar no bosque que mencionei. Acho que não vai ser difícil achar uma trilha por ali, sigam por ela que vão encontrar a casa de meu amigo.

     - Sou Florisbelo Margarido e...

     - Não me importo.

     - ... e você é mais uma que não liga nenhum pouco para mim. Você não vem junto?

     - Ora, claro que não! Alguém tem de preparar a poção, não? Estarei aqui esperando vocês para então poder adicionar os ingredientes finais que mandei vocês irem buscar.

     - Hum! Se essa não fosse uma desculpa boa o bastante, estaria te chamando de folgada agora mesmo.

----------------------------------------
     
     Em pouco tempo Rodolfo e Florisbelo estavam de volta a uma clássica paisagem da Ilha, um bosque aberto e amplo, com várias árvores de médio porte distantes umas das outras. Rodolfo avistou a estrada que deveriam seguir, olhou para Florisbelo e apontou para lá. Deu alguns passos em sua direção e, quando notou que seu amigo não o estava seguindo, voltou seu rosto para trás e notou o garoto planta parado, de olhos fechados e respirando fundo.

     - O que tá esperando?

     Como resposta, Florisbelo sorriu, foi até um ponto próximo a uma árvore e de lá voltou com vários galhos grossos e algumas vinhas da árvore. Amarrava os galhos unidos fortemente enquanto sorria para Rodolfo e ia para a estrada.

     - As árvores daqui são muito amigáveis. Elas disseram que vamos precisar de uma ponte mais adiante e ofereceram esses galhos para nos ajudar.

     - Nossa! Isso é bom então, mas por que iremos precisar de uma ponte?

     - Iremos descobrir mais adiante, eu acho.

----------------------------------------

     Depois de quase duas horas, Rodolfo já estava mais do que desconfiado do que as árvores supostamente haviam dito a Florisbelo Estavam ambos arrastando pela estradinha uma ponte de madeira de quatro metros de comprimento e quase dois de largura. Se tivessem ido caminhando sem se preocupar em encontrar os galhos, já teriam chegado em seu objetivo mais de uma hora e meia atrás.

     - Você tem mesmo certeza de que precisaremos dessa ponte?

     - De novo, Rodolfo... Sim, as árvores tem certeza disso! E falta apenas virar para a esquerda aqui e...

     Ambos se depararam com um rio em seu caminho, sua correnteza inda seguindo rápida do sul para o norte. Vários metros de água os separavam de onde a estrada continuava. Do outro lado era possível ver a existência de uma pequena cabana de madeira.

    - Nunca desconfie das árvores, Rodolfo! Bom, desconfie vez ou outra, especialmente das que estão com frutas podres, mas... geralmente elas sempre falam a verdade!

     - Ok, ok! Mas como vamos por essa ponte no lugar?

     - Eu ajudo nisso.

     Os ouvidos de ambos ficaram cheios da voz que vinha de nenhum lugar específico e de todos os lados ao mesmo tempo. Felizmente eles reconheceram com sendo a voz de Windo, mesmo que ele aparecesse em lugar nenhum. Um vento súbito vindo do leste ergueu a ponte improvisada que haviam feito e a levou gentilmente até o local onde deveria ficar, encaixada perfeitamente entre as duas margens. Agora era aparentemente seguro atravessar.

     - Obrigado, Windo! – falou Rodolfo, sem obter qualquer tipo de resposta. – E obrigado, Florisbelo! Agora é só atravessar e pegar o chocolate.

     - Não vamos nos esquecer do tal cogumelo vermelho que só cresce por aqui. Acho que vou atrás dele enquanto você pega o chocolate, assim terminaremos isso mais rápido.

     - Certo! Até daqui a pouco!

     - Até!

     Florisbelo virou de costas e foi andando até uma árvore próxima, com uma pergunta pronta para ser feita. Rodolfo sorriu e começou a cruzar a ponte.

     - É legal ter alguém inteligente no grupo.

----------------------------------------

     Rodolfo abriu a porta da cabana e deu de cara com um estranho homem sentado a uma mesa e olhando diretamente para a porta com seu único olho. Era careca e usava uma grande barba para compensar o cabelo que caíra anos atrás. Seu olho esquerdo era de vidro e a pupila parecia ter sido desenhada e pintada com um lápis de cor preto. Vestia uma camiseta e calça simples.

     O homem pareceu uma mistura de surpreso com irritado quando Rodolfo abriu a porta. Rapidamente se levantou com um salto e guardou algo de cima da mesa em seu bolso, algo que o garoto teve quase certeza de que se tratava de chocolate.

     - Mais outro estranho vindo pegar meu chocolate! Como passou pelo rio?

     - Fiz uma ponte maneira. Como sabe que vim pedir um chocolate?

     - É a única coisa que fazem! Só porque planto meu próprio chocolate de alta qualidade as pessoas pensam em vir aqui e roubar como se eu não fosse um ser humano! Tenho minhas necessidades de chocolate como qualquer um! QUALQUER UM!

     - Da pra plantar chocolate?

     - Você é um leigo, um tolo! Você nunca entenderia... VOCÊ NUNCA IRÁ ENTENDER!!

     De repente, o homem sacou uma faca e saltou em Rodolfo com o ódio ardendo em seu único olho real. Rugia enquanto preparava aquela única e fatal investida contra o jovem loiro que havia entrado em sua residência.

     A perna engatou na cadeira que estava sentado minutos atrás e o homem caiu no chão. A faca voou e se cravou na parede.

     - Urgh... Se não fosse pela minha barba, eu poderia ter... cortado o queixo...

     - ...

     O homem atirou a barra de chocolate no peito de Rodolfo.

     - Agora caia fora, chocólatra... Meus primos irão encontra-lo...

     Rodolfo saiu e fechou a porta atrás de si. Florisbelo o esperava, segurando um cogumelo vermelho vivo.

     - Como foi lá dentro?

     - Mais fácil do que eu esperava.

----------------------------------------

     Em pouco menos de meia hora eles estavam de volta a casa de Feitinilda, que estava encostada num caldeirão cheio de um líquido preto lendo sua revista de fofocas do mundo mágico. Estava entretida em saber que Daan Mors havia errado uma mágica de invocação básica em uma apresentação importante num teatro de Malboore quando viu um barulho na porta dos fundos e se virou para ver Rodolfo e Florisbelo entrando e entregando o chocolate e o cogumelo, respectivamente.

     - Por que demoraram tanto?

     - Tivemos de fazer uma ponte para-

     - Não falei com você. Falei com... Rodolfo, não é?

     - Isso! Demoramos porque fizemos uma ponte pra poder passar pelo rio.

     - Entendo... Presumo que meu amigo tenha a derrubado novamente. Ele não gosta muito de visitas, sabe?

     - Percebi. Ele tentou me matar com uma faca.

     - E o que você fez?

     - Na verdade nada... Ele meio que se derrotou.

     - Nem precisou tocar nele... Ele é um herói forte. – Feitinilda ficou levemente vermelha de novo.

     - Desculpe, mas não deveríamos estar salvando a cidade? – disse Florisbelo, se manifestando.

     - Estraga prazeres está ficando cada vez pior! Está bem então.

     A garota primeiro foi até uma prateleira e pegou um pote de vidro, logo depois enchendo-o com a coisa viscosa.

     - Vou guardar para depois. Se misturar com unhas do pé ao invés do cogumelo e do chocolate isto se torna uma poção completamente diferente.

     Pegou os ingredientes novos e os jogou dentro da mistura preta, que borbulhou um pouco, mas não pareceu sofrer qualquer alteração. Ela mexeu com uma grande colher de madeira a girando três vezes para a esquerda e uma para a direita. Guardou a nova mistura em um outro pote de vidro e estendeu pra Rodolfo.

     - Beba apenas um gole pequeno disto aqui, querido. Deixe que eu dê na sua boca.

     - Pera, desde quando você me cha-

     Com a boca forçadamente coberta daquela mistura de gosto amargo Rodolfo foi forçado a se calar. Engoliu com estranha facilidade. Quase que imediatamente, sentiu uma dor no estômago e se curvou, caindo de joelhos no chão.

     - Argh!!

     - Rodolfo! O que você fez com ele, Macumbeira?!

     - Calma, ele vai apenas ficar com fome como nunca antes na vida. Rodolfo, tem rosquinhas gigantes lá fora espalhadas pela cidade inteira.

     - Rosquinhas... gigantes...? Rosquinhas gigantes... Rosquinhas. GIGANTES!!!

     Rodolfo se levantou com um salto, correu, pulou e deu uma voadeira na porta de madeira, quebrando-a completamente. Avistou uma Rosquinha naquela mesma rua e disparou com a boca aberta e os dentes bem à mostra.

     - Então era apenas uma poção para deixar a pessoa com fome?

     - Não. Era uma poção para criar um pequeno portal dimensional.

     - Hãn?

     - É isso mesmo que você ouviu. O liquido dessa poção se expande e forma um círculo dimensional conectando o nosso mundo com... bom, isso não importa pra falar a verdade. Mas ela não está completa, falta um ingrediente, que é o ácido estomacal. Por sorte a parede do estômago é bem resistente internamente e deve ter uma substância desconheço que serve como barreira limitante do pequeno portal, por isso ele não atravessa o corpo do Rodolfo e cai no chão absorvendo terra.

     - Isso foi um pouco absurdo demais para mim.

     - Que seja, seu intelecto não é o bastante para compreender e isso não é minha culpa. Agora estou partindo para o bosque que vocês acabaram de voltar. Venham atrás de mim se quiserem, vocês são divertidos apesar de você ser um completo otário. Diga ao Rodolfo que gostei dele, quando ele voltar.

     - Por que está indo embora?

     - Ora, as pessoas logo irão descobrir que essa bagunça toda foi culpa minha. Não quero nem ficar aqui para descobrir o que vai acontecer com minha casa, mas espero que alguém beba o resto de poção que ficou no caldeirão, vai ser engraçado.


« siggy »

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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Sab 8 Fev - 13:46

Certo, me desculpe, mas realmente não consegui comentar antes de você poster um novo capítulo!

Vou fazer então um comentário duplo, para cada capítulo.

Capítulo 5:

Eles sentem vínculos de amizade bem rápido, considerando-se amigo de um espírito que conheceu faz alguns minutos... coitadinhos, devem ser carentes.

Windo saindo do grupo? Eu não lembro disso acontecer. Interessante.

Rodolfo parece... bem fraco (falta de exp?), o que até interessante de certa forma. Sei que algo estranho é que guardar leite pra outro dia iria normalmente fazer ele estragar, exceto que em RPGs coisas não estragam f6

Florisberto é sinistramente atento.

Coisas do passado dele! *Gasp*

O fato de o senhor da montanha ter casa já é mais do que muito senhor da montanha por aí...

Pressão espiritual?

Nossa, é uma habilidade de verdade do troço. Espera, é aquele cara? Nossa. Como a pressão não afetou os dois antes?

Democratas!

375 anos? Ele até parece jovem pra idade dele. Parecendo ter 70 e tudo mais...

Revelações familiares?

Ele é meio vidente e meio imortal, que meio estranho.

Florisberto está sendo bem ignorado. Síndrome de Kellam?

Windo! Bom momento pra ele voltar, apesar de ser no mesmo episódio(o que faz parecer que ele nem ficou alguns minutos fora)

Hm, escrever dessa forma não é ruim. Como você disse, dá um ar profissional à coisa, além de ter um contraste interessante às outras fics, mais focadas em narração/ação.

Capítulo 6:

Prato de adubo lol

Churrasco à vista! Ah, espera, é só uma cidade pegando fogo...

Monstro estra-ROSQUINHA! De morango? Esse troço é bem resistente.

"Fácil, sua casa não está pegando fogo", faz sentido f6

Feitiço que deu errado, lol.

Ela... tá se desculpando? Nossa.

A personalidade dela é... diferente do que esperaria de uma feiticeira. Ela é... humilde e educada(menos com florisberto)? Achei interessante a mudança.

"Vamos deixar a cidade pegando fogo enquanto damos uma volta pelo bosque!" duas horas, hm?

Ah, é, o Windo existe.

É bom ter alguém inteligente que fala com as árvores no grupo.

cara do chocolate sinistro.

Rodonilda? nossa.

ROSQUINHAS!

Hm... Interessante, a história continuando.

Dizer que alguém é mais inteligente que rodolfo não é muita coisa f6

Ele tem até um bom instinto de batalha, mas não é lá muito inteligente.

Sei que estou gostando da caraceterização mais forte. Uma pena para o Windo.

« siggy »
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Dom 16 Fev - 21:58

Feitinilda ficou bem apaixonada pelo Rodolfo, não é? Só espero que ela não fique decepcionada por ela não realmente acabar casando com ele no final...

Mas se as rosquinhas foram simplesmente tele transportados, eles não vão voltarem um dia, ou vão terrorizar o outro lugar? Melhor não pensar muito nisso...

Cadê o Windo? Eu também notei a falta estranha do espírito de vento, mas como que ele é o espirito de vento, então era esperado ele ser difícil de ser notado.

Pobre Florisbelo, este é o preço por tentar ser o responsável da turma...

Parabéns pela fic! Espero que acabe um dia!

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arrout
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Dom 2 Mar - 1:41

Cara, eu não li os últimos 2 capítulos
a série está bem escrita, mas eu discordo completamente das suas ideias pro Doença de Lol..
Eu não tenho ânimo pra acompanhar isso, estou achando muito chato de ler. Então não me cobre mais que comente, mesmo que você escreva bem essa série, eu não consigo ler, porque acho as ideias péssimas f6.
Então acho que esse é meu último comentário aqui.

« siggy »
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Eusine48
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MensagemAssunto: Re: Doença de LOL   Dom 2 Mar - 11:02

Olha, um Arrout por aqui! f6 

Não esperava você comentar, porque você já tinha me explicado o motivo do desânimo pra ler a fic! E eu já tinha compreendido, então estava tudo de boa. D=D 

Mas já que notou o assunto, aqui vão algumas explicações!

A maioria do que está aqui não são ideias para o jogo e eu nem quero que sejam! Se eu tentar listar tudo aqui vai dar um trabalho do caramba, então vo pegar o exemplo recente. Florisbelo arrastando aqueles troncos no último capítulo e depois amarrando para fazer a ponte. Isso é só algo que foi feito para fazer sentido numa fic, já que no jogo você pega um tronco e ele vai para o seu inventário!

E não preciso nem dizer que a descrição dos locais é só necessária aqui e não no jogo, não é?

Com relação às lutas, NADA escrito nessa fic vai para o jogo. (A não ser, talvez, as habilidades.) Repito: NADA. Mas você queria que eu fizesse uma batalha de turnos aqui na fic? Isso seria ridículo demais! (Mas até que seria engraçado. f6)
Acho que você não leu a luta contra o dragão de planta, mas Windo praticamente não causou dano nenhum e Florisbelo ficou mais é dando apoio ao Rodolfo e escapando dos golpes depois de tentar umas habilidades. Isso é uma interpretação daquela luta, já que Windo só tem skills ruins nessa época e os golpes de planta do Florisbelo não dão muito dano no chefão de planta.

Tem coisas que eu fiz aqui que, se você tivesse mais atenção, perceberia que ficaram únicas para o universo da fic e o do jogo. Como os primos gêmeos que sempre estão no momento antes dos chefões pra nos vender itens, isso não tem aqui, não quer dizer que eles vão deixar de existir. Rodolfo e Florisbelo também não falam mais de HP/MP.

Agora entenda: O que eu queria REALMENTE implementar daqui para o jogo é o seguinte:
- O jogo podia ter MUITO mais diálogos e falas. Você mesmo queria tornar tudo um pouco mais sério, mas o jogo como saiu ficou apenas focado em pequenas falas puramente de comédia seguidas de batalhas e depois uma comediazinha para finalizar.
- Alguns momentos estão pouco explicados e as vezes sem sentido até. Falando sério, tem momentos que foram feitos às pressas.
- Os nossos personagens tem poucos momentos de interação, resultando que eles acabam por ficar genéricos e até estereotipados. Nos meus anos acompanhando a comunidade de RPG Maker, quantos "Rodolfos" eu já vi por ai? Sei lá, mas foram muitos... O fator Personagens é uma das coisas que mais gosto em histórias, então quis aumentar esses momentos e dar mais profundidades para eles. (E mudar algumas coisas também, quando necessário...)

O que eu quero com isso aqui é mais explicação, mais imersão na história, ampliação do universo e maior complexidade para os personagens. Compreenda ;D 

« siggy »

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